Obra que defende que D. Afonso Henriques nasceu em Viseu reeditada hoje

O historiador José Mattoso considera que esta é "hipótese mais provável" das discutidas até hoje

a A Fundação Mariana Seixas, de Viseu, lança hoje a reedição da obra do medievalista Almeida Fernandes, onde este defende a tese de que D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, nasceu em Viseu. O historiador e professor universitário José Mattoso considera que esta é "hipótese mais provável" das que foram discutidas até hoje e afirma desconhecer qualquer publicação científica que a conteste. Intitulada "Viseu, Agosto de 1109 - Nasce D. Afonso Henriques", a obra de Almeida Fernandes teve em 1993 uma primeira edição de 500 exemplares promovida pelo Governo Civil de Viseu, que está esgotada há muito.A sua grande procura e o facto de a tese ter encontrado alguns apoiantes levaram a fundação de Viseu - que criou em 2004 um prémio anual de história medieval - a reeditá-la.
Almeida Fernandes (falecido em Tarouca, em Fevereiro de 2002) explica na sua obra que esta resulta de uma encomenda feita pela Unidade Vimaranense - Associação para o Desenvolvimento de Guimarães em Abril de 1990, pedindo-lhe para "averiguar, se possível, onde nasceu D.  Afonso Henriques". O trabalho seria depois publicado "nos semanários vimaranenses".
A Fundação Mariana Seixas garante que não quer entrar "em polémicas bairristas", mas promover o que considera ser "o primeiro estudo realmente feito sobre  o nascimento de D. Afonso Henriques".
O editor do livro, António José Coelho, disse à agência Lusa que, depois da polémica, vários historiadores, como Henrique Barrilaro Ruas e José Mattoso, subscreveram a tese.
Contactado pelo PÚBLICO, José Mattoso confirmou isso mesmo. "Na minha opinião, a argumentação de Almeida Fernandes a favor de Viseu e do ano 1109 mantém a sua validade. Por isso a aceitei expressamente como a solução mais provável no meu livro sobre Afonso Henriques", diz o medievalista. Mattoso adianta que não voltou a examinar o problema desde que leu o livro, há cerca de dois anos, mas acrescenta que não tem conhecimento de nenhuma publicação científica que o conteste. "É claro que não posso admitir os qualificativos de "indubitável", e outros semelhantes, atribuídos por Almeida Fernandes à sua tese. Em história medieval há muito poucos factos absolutamente certos", argumenta. No entanto, sustenta: "No estado actual do conhecimento, parece-me a hipótese mais provável."
As provas que Almeida Fernandes apresenta, explica, são as datas de uma série de documentos autênticos outorgados por D. Teresa datados de 1109 e passados em Viseu (umas vezes a localização é expressa, outras vezes deduz-se da argumentação de Almeida Fernandes). "O ano de 1109 para o nascimento é fornecido pelos Anais de D. Afonso, que é o texto com informações mais seguras acerca do nosso primeiro rei", precisa Mattoso. "Outras fontes indicam datas diferentes, mas esta é a mais verosímil", remata. com Clara Viana e Lusa

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