Câmara despede 38 funcionários da Culturporto

Trabalhadores ficaram impedidos de aceder
às instalações do teatro

A Câmara do Porto despediu ontem os 38 trabalhadores da Culturporto, a associação de produção cultural que gere o Rivoli. A mais de três meses de entregar a gestão do teatro municipal ao produtor Filipe La Féria, que terá efeitos a partir de 1 de Maio, a autarquia afixou ontem um aviso nas portas do Rivoli, avisando os trabalhadores que a partir de hoje estão dispensados de comparecer ao trabalho, devendo aguardar em casa o contacto da comissão liquidatária da Culturporto, cujo responsável é António Monteiro de Magalhães. "Acho estranho que um organismo público funcione desta forma, sem lisura legal", declarou Artur Vasquez, da Comissão de Trabalhadores (CT) da Culturporto. Só na passada segunda-feira é que a Assembleia Municipal do Porto aprovou, com os votos contra do PS, da CDU e do BE, o desencadear do processo de extinção da Culturporto, a associação criada em 1997, em parceria com o Instituto Politécnico do Porto, para gerir o Rivoli.
Ontem à tarde, porém, Raquel Castello-Branco e Margarida Fernandes, respectivamente vice-presidente e tesoureira daquela associação, foram ao Rivoli e contactaram pessoalmente com "seis ou sete" funcionários, segundo o membro da CT, pedindo-lhes que se mantivessem em funções até meados de Março, de modo a assegurar a manutenção do teatro. Quanto aos restantes, ficaram dispensados de ir trabalhar, tendo-lhes sido pedido que retirassem os haveres pessoais dos respectivos locais de trabalho.
Posteriormente "foi afixada uma listagem das pessoas que podem continuar a entrar no Rivoli e das que deixam de poder entrar", segundo Adelaide Barreiros, uma das funcionárias afectadas, para quem esta actuação configura "um acto do maior fascismo que ultimamente se viu". Contrariando as indicações, os trabalhadores decidiram apresentar-se hoje ao trabalho. "Temos agendada uma reunião com o nosso advogado e vamos tentar falar com a pessoa responsável pela comissão liquidatária", adiantou Raul Vasquez, recusando aventar a hipótese de lhes ser interditada a entrada. "Espero que demonstrem um mínimo de discernimento", afirmou.