Enciclopédia Britânica contesta comparação com Wikipédia

Prestigiada enciclopédia aponta falhas ao estudo publicado pela revista científica Nature e lança guerra aberta

A Enciclopédia Britânica classificou como "falso" e "sem valor" um estudo da revista científica Nature, no qual se considera "aproximadamente equivalente", em termos de exactidão e qualidade, a enciclopédia on-line Wikipédia, que pode ser editada por qualquer pessoa e a Britânica.Num comunicado emitido na semana passada, a Britânica pede à Nature para corrigir as afirmações feitas e aponta o que considera serem várias falhas na forma como o estudo foi conduzido.
O artigo e o editorial da Nature, publicados em Dezembro, foram feitos com base na comparação, levada a cabo por especialistas convidados pela revista, de 42 entradas de cada uma das enciclopédias, relativas a temas de diferentes áreas científicas.
A Britânica, contudo, acusa a equipa da Nature de ter usado em muitos casos apenas a introdução das entradas, bem como textos de outras publicações (como a versão para estudantes da enciclopédia ou o Anuário Britânica de 1998). Os responsáveis pela enciclopédia explicam ainda que a Nature compilou excertos de várias entradas, adulterando assim o conteúdo original, e contestam o facto de a revista se ter baseado apenas na precisão das entradas, ignorando factores como a organização e a qualidade da escrita.
A Britânica aponta ainda que o texto publicado na Nature é "enganador", uma vez que a entrada do artigo refere que a "Wikipédia está próxima da Britânica", quando nos artigos desta enciclopédia os cientistas encontraram 123 falhas e omissões, contra as 162 da enciclopédia on-line.
"Não é claro por que razão a Nature tentou minimizar esta discrepância", lê-se no comunicado, "mas a verdade é que, de acordo com os números, a Britânica é muito mais precisa do que a Wikipédia; a revista simplesmente interpretou mal os seus próprios resultados."
A Nature admitiu ter usado textos de publicações de outras fontes para além da Enciclopédia Britânica, mas já fez saber que não se vai desdizer. A revista alega que o artigo - intitulado Internet encyclopaedias go head to head (Enciclopédias na Internet estão ombro a ombro) - pretendia comparar os sites da Britânica e da Wikipédia e que todo o conteúdo usado estava disponível on-line.
Para além disso, os responsáveis da revista sublinham que a compilação de excertos de várias entradas foi uma prática levada a cabo para as duas fontes e que os especialistas que fizeram a revisão dos conteúdos não sabiam de que enciclopédia provinham os textos.
O artigo da Nature foi amplamente citado pelos entusiastas da Wikipédia, sobretudo em resposta às acusações de falta de credibilidade de que a enciclopédia tem sido alvo. Em causa está o facto de o conteúdo da Wikipédia poder ser alterado por qualquer pessoa e depender da disponibilidade de voluntários - que são eleitos pela própria comunidade de utilizadores - para fazer a revisão das entradas.
Algumas das falhas mais graves deste sistema de livre contribuição surgiram no final do ano passado, quando um jornalista associou um colega ao assassinato do Presidente dos EUA John F. Kennedy. Também o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, foi acusado de ter contrariado as regras e ter alterado a sua própria biografia. Em Fevereiro, descobriu-se ainda que as entradas relativas aos senadores norte-americanos tinham sido modificadas pelo próprio Senado, provavelmente por membros dos seus gabinetes.

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