Furacão Wilma inunda Cuba e deixa milhões sem electricidade na Florida

Tempestade voltou
a recuperar força
e segue agora paralela
à costa Leste
norte-americana

O furacão Wilma atravessou ontem a Florida, nos Estados Unidos, com ventos de 200 quilómetros por hora, deixando pelo menos um morto e mais de dois milhões de pessoas sem electricidade. Depois de matar 13 pessoas nas Caraíbas e entre seis a dez no México - onde provocou enorme destruição -, o Wilma recuperou forças sobre as águas quentes do Golfo do México e atingiu a Florida às 6h30 (11h30 em Lisboa) como furacão de categoria 3, numa escala de um a cinco.Os ventos abrandaram para 170 quilómetros por hora durante a sua passagem sobre terra, baixando a intensidade do furacão para a categoria 2. Ainda assim, o ciclone arrancou árvores, destelhou casas e partiu vidros de edifícios, sobretudo entre Miami e Fort Lauderdale. Nesta última cidade, um homem morreu, atingido pela queda de uma árvore, num subúrbio de Coral Springs.
A empresa Florida Power & Light teve de encerrar três reactores nucleares e 1,6 milhões de clientes ficaram sem luz. Em toda a região de Miami, cerca de 2,4 milhões de pessoas foram privadas de electricidade.
Nas ilhas Keys, no Sul da península, houve inundações generalizadas. "Há cheias de uma ponta à outra, com três a cinco pés [um metro a um metro e meio] de água", disse o mayor de Key West, Morgan McPherson, citado pela Associated Press. Cansados depois de três outros furacões, apenas sete por cento dos 80 mil habitantes das ilhas Keys abandonaram o local antes de o Wilma chegar.

Danos em CancunO Presidente norte-americano, George W. Bush, assinou uma declaração de desastre, de modo a permitir o acesso de recursos federais às áreas atingidas, e prometeu apoio às vítimas. "Pré-posicionámos alimentos, medicamentos, equipamentos de comunicação e equipas de busca e socorro", afirmou.
Uma das características nefastas do Wilma tem sido a sua dimensão. Quando passou pela Florida, o ciclone estendia-se por 645 quilómetros, cobrindo quase toda a península. Passou, no entanto, mais rápido do que no México, onde praticamente estacionou sobre o Iucatão, potenciando os seus efeitos devastadores.
O furcão deixou um saldo de dez mortos e dois desaparecidos no México, segundo a AFP. O governo fala em seis mortos. Os danos materiais foram enormes. Na zona hoteleira de Cancun, que fica sobre uma língua de areia que foi submersa pelas águas, quase todos os estabelecimentos sofreram danos. A praia desapareceu, expondo, nalguns pontos, as fundações de betão dos edifícios.
Cerca de 40 mil pessoas ainda estão em abrigos. Continuava a haver problemas com serviços básicos, como electricidade e telefones. "Talvez o mais grave seja o facto de precisarmos de dois meses para ter 80 a 90 por cento da capacidade turística de Cancun a trabalhar", disse o Presidente mexicano, Vicente Fox, que ontem visitou a região. "Precisamos de reconstruir rapidamente a economia, e a economia aqui é chamada turismo."
Depois do México, o Wilma poupou Cuba a um impacto directo, mas ainda assim lançou enormes ondas sobre a ilha, provocando inundações. Na capital, Havana, a água penetrou nos bairros junto à costa, alagando uma faixa de quatro quarteirões. Noutras comunidades costeiras, o mar avançou até um quilómetro.
Na região de Havana, a electricidade foi cortada ainda no domingo, como medida de precaução. Cerca de 700 mil pessoas foram retiradas de zonas baixas no litoral Oeste de Cuba.
Depois de atravessar a Florida, ontem, o Wilma voltou a recuperar força e passou novamente a um furacão de categoria 3. O seu trajecto segue, agora, paralelo à costa Leste norte-americana. O Wilma deveria absorver a energia restante da depressão tropical Alpha, potencialmente formando uma supertempestade no Nordeste dos EUA.