Cabanas de Viriato: a recuperação da Casa de Aristides Sousa Mendes

Cabanas de Viriato tem a singularidade de ter tido como residentes pessoas ilustres. Duas destas personalidades têm a maior relevância nacional. A primeira foi esse comandante lusitano, ao qual, em sua homenagem, foi dado o nome da própria freguesia. A segunda, talvez menos conhecida, mas não menos importante, foi a de Aristides Sousa Mendes.Aristides de Sousa Mendes, diplomata, cônsul português em Bordéus, ficou na história por ter contribuído para o salvamento de milhares de judeus do holocausto nazi, contrariando instruções do regime salazarista da altura. Por muito menos, Hollywood consagrou no cinema a história de Schindler (uma personalidade alemã cuja conduta se assemelha no resultado ao nosso Aristides Sousa Mendes, mas, em minha opinião, não comparável à nobreza dos actos deste).
Diz-se, em Cabanas de Viriato, que os sobreviventes e familiares e amigos que visitam a localidade, plantam ali uma árvore, em sua homenagem. Numa das minhas viagens pelo concelho, pude constatar a existência dessas árvores. Mas pude também constatar o verdadeiro crime de abandono em que está (aos anos, disseram-me) o palacete que foi a residência de Aristides Sousa Mendes.
Praticamente, o imóvel está em ruína. Pergunto se é isto que temos a mostrar a quem ali se desloca em sua homenagem? Estar-se-á à espera de que o edifício caia, para ali nascer mais uma urbanização nova?
A Câmara Municipal de Carregal do Sal e o Ministério da Cultura poderiam fazer muito melhor. A recuperação daquele imóvel poderia dar lugar a uma casa-museu de Aristides Sousa Mendes e funcionar como pólo de atracção turística, numa zona onde as infra-estruturas económicas não estão muito desenvolvidas, mas em que o turismo é uma potencialidade a não desprezar. Na própria freguesia, temos o percurso medieval de Cimalhinhas a funcionar como outro pólo de atracção.
De qualquer forma, vale a pena a viagem. Fica a sugestão para uma visita à freguesia de Cabanas de Viriato. Este fim-de-semana estará em festa. É nas Laceiras e dura três dias.

miguel cabaço, lisboa