Jack, o Estripador, era um marinheiro?

Assassino mítico do século XIX poderá ter cometido crimes em vários pontos do mundo

Um doente mental, um açougueiro, um neto da Rainha Vitória e até um artista, Walter Sickert - todos foram apontados como suspeitos de serem Jack, o Estripador, um dos mais míticos criminosos de todos os tempos, cuja identidade permanece um enigma há mais de um século. Mas, e se Jack, o Estripador, não fosse londrino, como geralmente se presume, nem sequer súbdito de Sua Majestade? E se tivesse sido um marinheiro que levou os seus crimes a lugares distantes como a Alemanha ou até a Nicarágua?Os obcecados com a verdadeira identidade do Estripador - e são muitos milhares - agitam-se com a tese de um livro novo que põe como hipótese que o criminoso andava embarcado num navio da marinha mercante e que matava quando punha o pé em terra. No sinistro East End londrino, o Estripador assassinou cinco prostitutas num período de dez semanas em 1888. Cortou-lhes as gargantas de um lado ao outro e abriu-as de alto a baixo, com excepção de uma, e arrancou alguns dos seus órgãos.
Trevor Marriott, ex-detective, é o autor de Jack the Ripper: The 21st Century Investigation e defende que a polícia concluiu, erradamente, que o assassino vivia e trabalhava no East End. "A polícia não quis olhar para a possibilidade de o assassino poder ser um marinheiro", sustenta.

Indústria lucrativaO Estripador tem alimentado uma lucrativa indústria de muitos milhões de dólares em livros e recordações para turistas (além de um musical e filmes), mostrando que o fascínio do público pela figura do criminoso continua vivo. Por exemplo, em Londres, todos os anos, são 60 mil os turistas que pagam para fazer o Ripper Tour, uma volta a pé pelos locais dos crimes, no bairro de Whitechapel, onde em tempos o sangue dos matadouros escorria pelas ruas empedradas e cerca de 40 mil prostitutas vagueavam sob a luz ténue de candeeiros a gás.
Marriott acredita que o assassino chegou num dos navios que acostavam nas docas perto do East End. Mas os registos das tripulações perderam-se, o que torna impossível a eventual tarefa de concentrar atenções num indivíduo.
O que Marriott encontrou foram relatos de seis prostitutas esventradas, bem ao estilo do Estripador, na Nicarágua, num espaço de dez dias, em Janeiro de 1889, apenas dois meses depois de terminada a matança em Londres. Houve depois um crime semelhante em Fevereiro, outra vez em Londres, outro no porto de Flensburg, na Alemanha em Outubro, e ainda mais outro em Londres em Julho de 1891. Marriott também diz que, ao contrário de ideias feitas, o Estripador também não tinha conhecimentos de medicina e defende que os órgãos das vítimas foram retirados na morgue, para venda no então florescente mercado negro.

O tio Jack?Há ainda um segundo livro a agitar os "fãs" do Estripador. Chama-se Uncle Jack (O Tio Jack), foi escrito por Tony Williams e defende que o criminoso era nem mais nem menos do que o tio do autor, Sir John Williams, ginecologista das filhas da Rainha Vitória e fundador da Biblioteca Nacional de Gales.
Williams decidiu explorar a história da família quando tropeçou numa caixa com pertences de Sir John, incluindo uma faca e diários com as páginas de 1888 arrancadas. Descobriu que, além do seu consultório de luxo em Harley Street, Sir John tinha outro em Whitechapel. Os seus registos médicos mostram que fez um aborto à primeira vítima do Estripador, Mary Ann Nichols, em 1885.
Williams acredita que Sir John sentia raiva das prostitutas porque estas engravidavam e a mulher não era capaz. Mais: defende que ele usaria os órgãos arrancados às vítimas para experiências tentando encontrar uma cura para a infertilidade. Jornalista da Reuters