Projecto de leitura para cativar alunos

O projecto Ler Consigo regressa às salas de aula durante esta semana. Pelo segundo ano consecutivo, a Associação de Professores de Português (APP) fez o convite às escolas. Responderam não só turmas portuguesas mas também estrangeiras. O objectivo é cativar os estudantes para a leitura.Autarcas, párocos, magistrados, jornalistas, médicos, actores, declamadores, a antiga professora primária ou a mãe de um dos alunos - todos são convidados para ler em voz alta. A leitura pode ser feita na sala de aula, no anfiteatro ou no centro de recursos da escola, para uma ou mais turmas - do 1º ciclo ao secundário.
O projecto é aplicado como os professores quiserem e os leitores podem escolher o texto que vão ler, de acordo com o público que vai ouvir, explica Manuel Campos Pinto, da APP. O objectivo é que os convidados voltem à escola para ler os textos que seleccionaram, de maneira a transmitir o gosto pela leitura, acrescenta o responsável da associação.
Por exemplo, em Montemor-o-Novo há uma escola de 1º ciclo com apenas três alunos onde todos os dias da semana será dia de Ler Consigo, com convidados especiais, desde o presidente da autarquia passando pela animadora da biblioteca e pelo professor de ténis.
E em Pombal, onde cerca de 40 turmas vão participar no projecto, há duas mães, uma de origem búlgara e outra ucraniana, que vão ler em português e nas suas línguas maternas.
A iniciativa procura não só cativar os estudantes para a leitura mas também "chamar os pais às suas responsabilidades; a escola não pode fazer tudo", diz Campos Pinto.
O professor de Português defende a leitura em voz alta e considera-a importante para captar leitores e "seduzi-los" para o texto escrito.
Este ano participam mais de duas centenas de turmas em 39 concelhos e 17 turmas de seis países onde funcionam cursos de Língua e Cultura Portuguesa. A adesão dos professores a leccionar na África do Sul, Alemanha, Andorra, Canadá, EUA e França surpreenderam a APP. "Penso que é uma maneira de se sentirem integrados e a participar num evento que envolve muita gente", explica Campos Pinto.
Em 2004, o projecto juntou mais turmas do que este ano. Ao todo foram 350 de 60 concelhos, mas apenas quatro países aderiram. "No ano passado fizemos um esforço maior e este ano deixamos o projecto caminhar sozinho", justifica Campos Pinto. Bárbara Wong