CCB mostra os anos de "designer" de Mies van der Rohe

São os anos europeus do arquitecto Mies van der Rohe. Especificamente, os que vão de 1927 a 1932, quando o arquitecto alemão fez projectos em que o desenho chegou a todo o lado, da planta do edifício ao mobiliário. A exposição "Mies van der Rohe - Arquitectura e Design em Estugarda, Barcelona e Brno", que abre hoje no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, mostra os projectos para o complexo habitacional Weissenhof (1927), para o Pavilhão de Barcelona (1929) e para a Villa Tugendhat (1930), espaços para onde concebeu as suas famosas cadeiras em aço tubular ou plano, entre outras peças que vão das mesas às cortinas.De facto, depois de emigrar para os EUA fugido ao regime nazi, nenhuma das peças de mobiliário que Mies desenhou chegou a ser produzida ou patenteada, porque a escala americana em que passou a trabalhar, como a dos arranha-céus, tornara a questão do mobiliário menos relevante.A exposição, a terceira concebida pelo Vitra Design Museum e apresentada pelo CCB, teve exactamente como ideia inicial "mostrar a relação do mobiliário com os edifícios", explicou, em conversa telefónica, Isabel Serbeto, coordenadora de exposições da instituição alemã, que tem muitas peças de "design" do arquitecto. "Mies é principalmente conhecido como arquitecto, mas a sua cadeira 'cantilever' (1926) em aço tubular é muito importante. É uma cadeira sem pernas traseiras e com uma elasticidade que os outros 'designers' nunca conseguiram fazer. A cadeira de Barcelona também é muito elegante. Ainda hoje é um clássico".A exposição começa por mostrar quatro outras cadeiras "cantilever" de outros autores (um anónimo), que funcionam como uma pequena introdução aos antecessores e contemporâneos do trabalho de Mies como "designer". Segundo Rita Lougares, a conservadora do Centro de Exposições do CCB que conduziu a visita guiada (o novo director, Delfim Sardo, toma posse a 2 de Maio), estas cadeiras "cantilever" - cuja tradução é "equilíbrio em vão" - mostravam problemas de concepção, "não solucionando parafusos e encaixes". A seguir, a exposição apresenta cinco variantes que Mies fez para a cadeira "cantilever", com braços e sem braços, em couro, tecido ou verga natural. O "design" da cadeira "cantilever", com base numa linha contínua, incorpora na perfeição a ideia do espaço fluído, uma característica da arquitectura moderna. O exemplo chega com o complexo habitacional Weissenhof que permitiu ao arquitecto, com um esqueleto também em aço copiado da arquitectura das fábricas, "construir um interior com paredes amovíveis, dando corpo à teoria do espaço fluído", explica Rita Lougares. Como em relação aos dois outros projectos, a mostra apresenta uma maqueta à escala 1:100 deste bloco de apartamentos de quatro andares e outra de uma parte do interior, à escala 1:6, onde podemos ver o mobiliário incorporado. Na parede, uma planta gigante permite ver o desenho dos espaços interiores polivalente, iluminados pelas grandes janelas horizontais que rasgam a fachada. Para o Pavilhão de Barcelona, concebido para a representação da Alemanha na Exposição Internacional de 1929, a estrela é a cadeira de Barcelona, em aço plano cromado, cujo design se inspirou na tradicional cadeira em tesoura, com as suas pernas cruzadas desdobráveis. Mas todo o mobiliário do interior deste edifício, que apela à transparência e a uma forte relação com o exterior, foi concebido pelo arquitecto.A meio do percurso da exposição organiza-se um pequeno auditório, para a projecção de um vídeo de 60 minutos dedicado à arquitectura de Mies, uma vez que esta mostra