O efeito Big Brother

Ao segundo dia consecutivo de liderança nas audiências, um facto inédito, a TVI aumentou a vantagem sobre a SIC - 13 pontos de diferença no "share" do dia, graças a mais um "show" semanal de Big Brother. Quanto é que isto representa em perda de investimento publicitário para o canal de Carnaxide é uma pergunta a que o mercado ainda não sabe responder.

O Big Brother como fenómeno de audiências está a mostrar o que vale em Portugal. A TVI atingiu o recorde de 44,5 por cento de "share" na terça-feira, mais 13 pontos que os 31 por cento da SIC. A RTP1 também apanhou por tabela (20,9 por cento) assim como a RTP2 (3,6 por cento). A vantagem da TVI aumentou face aos quatro pontos conseguidos no dia anterior. O "show" em directo, conduzido por Teresa Guilherme, foi o programa mais visto de terça-feira, com 25,6 por cento de audiência média e 66,1 por cento de "share", chegando ao longo da noite a atingir números na casa dos 73 por cento, ou seja, três milhões de telespectadores. O segundo programa mais visto foi o compacto da noite da telenovela real e, em terceiro lugar, ficou o Jornal Nacional da TVI, com 15,3 por cento de audiência média e 38,7 por cento de "share".Só em quarto vem um programa da SIC: a telenovela Uga Uga, exibida antes do Jornal da Noite. Mesmo a telenovela brasileira do final da tarde New Wave consegue melhores resultados que o concurso A Febre do Dinheiro. Outro dos acontecimentos televisivos da noite de terça-feira foi o debate dos dois candidatos à presidência do Benfica na RTP1, que fixou uma audiência média de 7,9 por cento e teve um "share" de 25 por cento. Nesta última semana, foi a terceira vez que a TVI liderou as audiências e ultrapassou a SIC, desta vez com a maior vantagem de sempre. Para combater o fenómeno de popularidade Big Brother, a SIC faz contraprogramação, arrastando a telenovela sem intervalos, o que está a provocar um esvaziamento de publicidade em horário nobre.Na terça-feira, entre o final do Jornal da Noite e o da Febre do Dinheiro - das 21h06 às 23h14 - a SIC transmitiu apenas três curtos blocos publicitários, que totalizaram 1 minuto e 51 segundos: 30 segundos entre os Malucos do Riso e Laços de Família, 45 segundos entre a novela e a Febre do Dinheiro e 35 segundos no intervalo deste concurso. Entre o Jornal da Noite - que ao intervalo transmitiu um total de 8 minutos e 6 segundos de publicidade - e Os Malucos do Riso, não passaram anúncios.Mesmo com a redução de publicidade, para o mercado, ainda é cedo para saber se esta transferência de público para a TVI corresponde a uma deslocação de investimento publicitário, já que a comercialização dos anúncios é feita com base nas audiências. O espaço publicitário das televisões é negociado tendo em conta uma previsão de audiência de determinado programa, feita através dos números disponíveis sobre os dias, as semanas e os meses anteriores. Se o resultado de audiência for diferente daquele que é esperado, há renegociação dos contratos entre quem compra (centrais de compras) e o canal de televisão. Face às audiências conseguidas pelo Big Brother e por outros programas da TVI, as últimas semanas têm-se revelado atarefadas para as centrais de compras. "Cria problemas porque trabalhamos com base em previsões de audiência", reconheceu Duarte Albuquerque, director de "media" da central de compras Espaço OMD. A opinião é partilhada por Carlos Sousa, presidente da Universal Media, que lembrou ainda outros factores de alteração dos resultados, como os jogos de futebol do Europeu e os debates sobre o Benfica realizados ao longo desta semana.Ambos os especialistas consideraram que é prematuro concluir se há ou não transferência de investimento publicitário da SIC para a TVI, porque a estação de Carnaxide pode vir a conseguir compensar estas perdas noutros horários ou repor o equilíbrio através de outra solução. Quanto muito, disseram, "há uma tendência". Os preços do espaço publicitário de cada canal são regulados por uma tabela (sujeita sempre a negociações), que é ajustada mensalmente conforme as audiências. Se os intervalos publicitários à volta do Big Brother têm agora maior audiência que em concorrência com outro canal, então esse espaço deverá ser mais caro que o da SIC. A TVI reconheceu apenas que há ajustamentos de preços em função das audiências. Quanto à disponibilidade de espaço nos intervalos à volta da telenovela real, Duarte Albuquerque afirmou que é muito pouca, devido os compromissos anteriormente assumidos devido à proximidade do Natal. Um contraste face ao início do Big Brother, em que, como observa Carlos Sousa, nenhuma das grandes marcas se quis associar ao programa.

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