Cravinho inaugura hoje 14 quilómetros de IP4

O IP4 avança hoje 14 quilómetros em direcção à fronteira de Quintanilha, com a abertura ao trânsito do sublanço Bragança-Rio fFrio. Falta agora ainda concluir os seis quilómetros finais, o que deverá acontecer em Setembro. Recorde-se que esta foi posta a concurso há quatro anos. Uma das razões apontadas pelo Governo tem a ver com a decisão de prolongar esta via rápida mesmo até Quintanilha, o que não estava previsto. Pelo caminho, ficaram as reivindiações de responsáveis da região para o alargamento de duas pontes, tendo em vista a possibilidade de transformar o IP4 numa auto-estrada.

O ministro do Equipamento e Ordenamento do Território, João Cravinho, vai inaugurar hoje 14 quilómetros do IP4 entre Bragança e a fronteira de Quintanilha. Apenas em Setembro serão abertos ao trânsito os restantes seis quilómetros, que correspondem à ligação Rio Frio-Quintanilha, completando-se assim a ligação Porto-Quintanilha em auto-estrada (até Amarante) e via rápida (a partir de Amarante).O investimento global ascende a seis milhões e meio de contos, dos quais cinco milhões para a estrada e um milhão e quatrocentos mil contos para as pontes do Sabor e da ribeira do Porto. A obra foi a concurso público em Janeiro de 1995 e começou em Maio de 1996. Estão em curso trabalhos a partir de Rio Frio, com especial incidência na construção da ponte internacional de Quintanilha, que inicialmente não estava planeada.Só em Março deste ano, após alguma contestação, o Governo decidiu prolongar o IP4 mesmo até Quintanilha, cerca de 1,6km, que custaram mais seiscentos mil contos. Esta é a razão apontada pelos governantes para o atraso da obra, que, de acordo com as previsões, deveria ter ficado concluída em Maio passado. Mas para a conclusão do IP4 continua a faltar a ponte internacional de Quintanilha, a cargo do Governo português. Segundo Mota Andrade, deputado socialista eleito pelo círculo de Bragança, o projecto "já foi concluído e vai ser posto a concurso no início do próximo ano", sabendo-se que do lado espanhol já foram feitas as expropriações respectivas. Telmo Moreno, presidente da Comissão Política Distrital do PSD, já manifestou a sua satisfação pela conclusão do último troço do IP4, mas não deixa de enviar algumas farpas aos adversários políticos: "Este troço deveria ter sido executado há muito tempo, a obra foi lançada em 1995-96 e estivemos quatro anos para fazer um lanço destes. O PS criticava tanto o Governo do professor Cavaco Silva, a lentidão com que fazia as obras, nomeadamente o IP4... É bom agora comparar e ver que as obras derraparam e ao fim de quatro anos vamos ter alguns quilómetros de IP4 inaugurados".A questão da duplicação do IP4, tendo em vista a sua eventual transformação em auto-estrada, faz parte das principais reivindiações da região. Recorde.se que em Janeiro deste ano o alargamento das duas pontes, que hoje vão ser inauguradas entre Bragança e Rio Frio - uma sobre o rio Sabor e outra sobre a ribeira do Porto - foi amplamente discutido e o ministro João Cravinho chegou a dar luz verde para que fossemfeitas asobras necessárias.Tratava-se de alargar os dois tabuleiros em 75centímetros para cada lado, o que iria permitir futuramente a criação de quatro vias na faixa de rodagem. Esta proposta tinha dois anos, mas o ministério não a acolheu, argumentando que a densidade de tráfego não o justificava. Inicialmente estimava-se que o alargamento dos tabuleiros iria custar apenas 150 mil contos. Mas depois de estudarem a proposta, os técnicos da JAE concluíram que os custos seriam muito mais elevados, dado o estado avançado em que as obras já se encontravam. A nível local, o socialista Mota Andrade argumentou ainda que "de Bragança a Amarante o IP4 não possuía nenhuma obra de arte preparada para uma futura duplicação". O presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, afirma que "agora que se perspectiva a conclusão do IP4, uma obra que se iniciou há 17 anos, é altura de começar já a projectar a sua duplicação". O autarca acredita que esta reivindicação "não vai cair no esquecimento, até porque a Assembleia da República já decidiu autorizar a inclusão do IP4 na rede de auto-estradas do país". A travessia do Marão pode ser uma das etapas mais complicadas para uma futura duplicação de vias. Para que a ideia não seja marginalizada, neste momento o presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Dionísio Gonçalves, está já a elaborar um estudo para encontrar as melhores soluções. A construção de um túnel é uma das hipóteses mais eficazes, dado que permite evitar a adversidades climatéricas da zona, como o nevoeiro quase constante e os nevões de Inverno. "Mas por enquanto são apenas hipóteses que é preciso estudar com cuidado e calcular com rigor os custos e benefícios", refere o presidente do IPB.