TVI foi quem mais subiu em 98

No final do ano transacto, a TVI tinha todas as razões para ser o canal mais optimista do ano. O balanço de 1998 foi tão feliz para a Televisão Independente quanto desastroso para a televisão do Estado. A RTP conheceu máximos de quebras de audiências, que a TVI capitalizou, uma vez que a SIC se manteve imperturbável na liderança. 1998 vai ser lembrado como o ano em que se bateram recordes históricos.

A TVI foi a estação que mais cresceu em 1998. Entre Janeiro do ano passado e o mesmo mês deste ano, o "quarto" canal, que tem vindo a subir sistematicamente, aumentou um terço o seu "share" mensal. E já em Janeiro deste ano esta sucessão de bons resultados culminou com a Televisão Independente a atingir, segundo os dados da agência de audimetria AGB, o seu melhor resultado de sempre: 15,3 por cento (no mesmo mês de 1997 encontrava-se com 10,5).Mas, se não faltam razões para a TVI encarar este novo ano com grande optimismo, o mesmo não se poderá dizer do canal que já foi líder absoluto das audiências nacionais, a RTP1. O ano de 1998 promete ficar na memória como um dos mais terríveis para primeiro canal da 5 de Outubro. Além de praticamente perder o estatuto de concorrente perante a crescente liderança da SIC - a diferença entre os dois canais é já de 23,6 pontos percentuais, quando há exactamente um ano se ficava pelos 14,4 -, a RTP1 poderá este ano ver o seu segundo lugar assaltado, agora pela TVI.Em Janeiro de 1997, o "share" da Televisão Independente ficava a 23,3 pontos percentuais do primeiro canal da RTP. Um ano depois, essa margem é apenas de 12,4 pontos. Ou seja, a diferença foi reduzida a metade no final de Janeiro deste ano, por comparação com o mesmo mês de 1997. De registar ainda que a RTP1 terminou o primeiro mês deste ano com uns históricos 27,7 por cento de "share", o mais baixo de sempre.Bem no topo das audiências nacionais, pelo quarto ano consecutivo, continua a SIC. O canal de Carnaxide chegou ao fim de Janeiro com um "share" de 51,3 por cento, com mais 1,1 pontos percentuais que no mesmo período de 1998. O "fosso" em relação à RTP1 aumentou consideravelmente e é agora o maior de sempre.Quanto à RTP2, não se verificam grandes diferenças em relação ao ano anterior. O segundo canal da RTP com 5,7 por cento de "share" no final de Janeiro, subiu 0,1 pontos em comparação com o mesmo mês de 1998.No que diz respeito às audiências por programas, relativas à última semana de Janeiro deste ano, não se registam grandes novidades face aos últimos meses. No topo da tabela de audiências nacionais da AGB permanece a série portuguesa Médico de Família, seguida da novela Torre de Babel - dois produtos da SIC -, tendo, respectivamente, 27,1 por cento (dois milhões 430 mil telespectadores) e 26,9 por cento de audiência média (AM).Na terceira posição surge esta semana uma das apostas da SIC para os serões de quinta-feira e, diga-se de passagem, um género de programa pouco habitual nestes horário: os documentários Vida Selvagem da BBC. Ao que parece esta foi uma aposta ganha pela estação de Pinto Balsemão, já que o programa para além de ser o terceiro mais visto em Portugal, registou qualquer coisa como 22,0 por cento de AM - muito perto dos dois milhões de espectadores.Na RTP1, o Telejornal do último domingo foi o espaço mais visto da semana passada nesta televisão, com 15,7 por cento de AM - um milhão e 400 mil telespectadores. Entre os programas deste canal que mais espectadores tiveram está ainda o jogo Sporting-Académica do último domingo, com 12,3 por cento de AM.Três filmes ocupam as três primeiras posições do "top" semanal da TVI. "Bela e Perigosa" (na quarta-feira, 27) foi o mais visto, com 6,4 por cento de AM. De salientar ainda os perto de 440 mil espectadores - 4,9 por cento de AM - que seguiram em casa o último episódio da quinta série de Ficheiros Secretos (na quinta-feira), que, no entanto, se ficou pelo 5º lugar da lista desta estação.A série documental Horizontes da Memória e o programa Jogo Falado foram os mais vistos da semana na RTP2, com 3,3 e 3,2 por cento de AM, respectivamente.