Moção de censura do PS defende eleições antecipadas

Documento foi entregue no Parlamento. Discussão e votação marcadas para a próxima quarta-feira.

"Os portugueses sentem no dia-a-dia as políticas erradas", alerta deputado do PS Nuno Ferreira Santos

“Só um novo Governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional.” A frase faz parte da moção de censura entregue nesta quinta-feira no Parlamento pelo PS e confirma, mais uma vez, a rejeição inequívoca dos socialistas de uma nova solução política de governação que não implique eleições legislativas.

Assim, o PS defende novas eleições para dar legitimidade ao próximo Governo para “renegociar” com a Europa o programa de ajustamento e relançar a economia.

“Este Governo não está à altura do momento e das responsabilidades que devia assumir”, justificou o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, numa conferência de imprensa realizada após a entrega da moção na mesa da Assembleia da República. O socialista invocou a existência de “um novo consenso político” no país sobre o caminho alternativo ao seguido pelo actual Governo. Um consenso, disse Zorrinho, que “não passa por este Governo, por esta maioria e por este primeiro-ministro”.

A iniciativa parlamentar foi agendada para debate e votação na próxima quarta-feira, dia 3 de Abril. O seu primeiro subscritor é o secretário-geral, António José Seguro, seguindo-se a presidente do partido, Maria de Belém, e o líder da bancada socialista, Carlos Zorrinho.

Foi o secretário-geral quem propôs a moção de censura depois de uma volta pelo país, durante a qual assumiu a “ruptura” com o Governo e anunciou ter chegado o momento da “mudança”.

A moção elenca os motivos do PS para avançar com a censura. No Largo do Rato, a sétima avaliação da troika era vista como “o derradeiro momento para o Governo inverter a sua política”.

O documento cita os números da economia. Lembra os 942 mil desempregados, o terceiro ano consecutivo de “recessão profunda”, o contínuo aumento da dívida pública e o défice orçamental que “falha sistematicamente as metas estabelecidas”.

 
 
 

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