Cartas à Directora

Reencontrar a Pérsia

Estive uma vez 24 horas em Teerão. Muito pouco para entender o país, mas o suficiente para me aguçar a curiosidade sobre a sua enorme dimensão cultural e forte identidade. A antiga Pérsia, entre o golfo de seu nome e o mar Cáspio, foi durante muitos séculos um importante cruzamento de caminhos intercontinentais, algo que deixa marcas. No passado recente, nomeadamente durante o século XX, foram demasiado fortes para se deixarem governar, mas não o suficiente para escaparem às tensões e manipulações que dominaram a região. Em 1978 a revolução islâmica, incluindo a crise dos reféns americanos, e o posterior discurso radical dos seus governantes, divorciaram o país do ocidente. No entanto, uma boa parte da sua população nunca o esqueceu, como o muito interessante filme de animação Persópolis narra. Em 2001 quando a Al-Qaeda de berço sunita leva a cabo o 11/9, o agora designado Irão pensa ver uma oportunidade para se reaproximar da comunidade internacional. Curiosamente George Bush vai surpreender ao inclui-los no famoso “Eixo do Mal”.

O recente acordo sobre o desenvolvimento nuclear é uma janela que se abre e foi extremamente curioso ver as manifestações de alegria espontâneas nas ruas de Teerão. Este acordo tem muitos espaços em branco por preencher e muito caminho ainda por percorrer. Também tem inimigos poderosos, seja do lado da influência israelita, seja do lado dos petrodólares árabes. Mas, pelo menos, pelos educados e cultos persas, eles e elas, com vontade de viver no mundo moderno e dispostos a dar o seu pleno contributo para isso, seria muito bom que vingasse. Manter o ostracismo não é positivo para ninguém.

Carlos J F Sampaio, Esposende

 

Metro

O prolongamento da linha amarela a partir do Rato deveria seguir a linha Campo de Ourique, Alcântara-terra, Rio-Seco, Belém. As vantagens seriam: ligar a linha de cintura à linha de Cascais, servir o polo universitário da Ajuda, levar o Metro ao principal polo turístico e museológico da cidade. A ligação Algés-Parque das Nações, ganharia em ser feita pelos "eléctricos rápidos": os turistas preferem o "eléctrico"  característico de Lisboa, os lisboetas sentem a infraestrutura "eléctrico" mais consolidada e menos eventual, os custos do veículo "eléctrico" são melhores e mais limpos. Uma zona servida por "eléctrico" é mais valorizada. O Parque das Nações ganharia em ser ligado desde o Trancão a Algés. A estação do Rato deveria ter interface com a linha de Sintra, no túnel do Rossio, multiplicando as interconexões urbanas.

Maria Ribeiro, Lisboa

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