Apenas um terço dos portugueses diz estar informado sobre assuntos de ciência e tecnologia

Eurobarómetro revela que 53% dos cidadãos da União Europeia (UE) estão interessados nas áreas de ciência e tecnologia. Maioria avalia estas áreas como positivas para a sociedade.

Só 36% dos portugueses tiveram contacto com a ciência na escola Rui Gaudêncio

O mini-relatório, elaborado pela Comissão Europeia, sobre a percepção dos cidadãos da UE acerca da importância da ciência e da tecnologia na sociedade, mostra que 77% vêem estas duas áreas como tendo um impacto positivo. Mas só 53% dos europeus dos 27 estados-membros estão interessados nestes dois temas e apenas 40% dizem estar informados nestas áreas.

“Este Eurobarómetro oferece informações valiosas sobre a opinião pública e faz parte de um esforço mais alargado por parte da Comissão Europeia para melhor envolver os cidadãos nas áreas da ciência, da investigação e da inovação e promover a investigação e a inovação responsável”, lê-se no documento de sete páginas.

A nível nacional, apenas 32% dos portugueses dizem estar informados sobre assuntos de ciência, e só 36% estudaram temas de ciência, 23% na escola, 11% no ensino superior. A média da UE é superior: 47% teve alguma formação de ciência, 31% na escola e 14% no ensino superior. Mas 65% dos inquiridos nos 27 países defendem que os governos estimulam pouco o interesse dos mais jovens nos temas de ciência e tecnologia, 59% acreditam que o interesse na ciência melhora as perspectivas de os jovens conseguirem emprego e 68% acham que dominar os temas de ciência e conhecimento melhora a cidadania.

“Há uma necessidade em apoiar a educação formal e informal de ciência, especialmente nos países-membros do Sul e do Leste da UE, onde os níveis de informação das pessoas são relativamente baixos”, lê-se no documento. Segundo os questionários, 65% das pessoas diz que a informação sobre ciência chega pela televisão, 35% e 33% dos questionados defendem que as fontes são, respectivamente, a Internet e os jornais.

Apesar disso, há uma confiança generalizada em certos actores da sociedade envolvidos na ciência e na tecnologia. Cerca de 80% dos inquiridos vêem tanto os cientistas das universidades e dos governos, como as associações de protecção ambiental como agentes que se comportam de uma forma responsável para com a sociedade quando toca a decisões sobre a ciência e a tecnologia.

Já os representantes dos governos são vistos como os menos responsáveis, com apenas 44% da população a confiar neles. E apenas uma fracção de 6% diz que são os mais qualificados para explicarem o impacto na sociedade de inovações científicas e tecnológicas. Aliás, 55% dos europeus defende a necessidade de um diálogo público quando estão em causa decisões sobre temas de ciência e tecnologia.

Segundo o documento, a Comissão Europeia alocou um orçamento de 462 milhões de euros até 2020 enquadrado no programa "Ciência com e para a Sociedade" para fomentar o conhecimento científico, a participação cívica nas questões da ciência e promover o nascimento de uma nova geração de investigadores.

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