Se o voto dos portugueses for vento, 2025 será a eleição que vem soprar Portugal ainda mais para a direita. A tendência de 2024 manteve-se, com a direita parlamentar a conquistar terreno em quase todos os 308 concelhos do país. A AD foi o partido mais votado em 215 municípios e melhorou o seu resultado em 286 — vale à coligação 89 deputados, mais nove do que na anterior legislatura.

Mas se os ventos de 2025 confirmam a tendência de 2024 – um país que virou à direita –, é na cor que os ventos de mudança pintam que nos mostra um país diferente. O mapa tipicamente dividido entre laranja e rosa já tinha laivos de uma nova cor em 2024.

Em 2025, essa cor ganha força — o Chega colou-se ao PS e até ganhou mais concelhos do que os socialistas (60, mais 51 do que no ano passado).

O PS sai da noite eleitoral como grande derrotado. Saiu vencedor de apenas 33 concelhos, depois de há pouco mais de um ano ter somado triunfos em 139. Um resultado historicamente mau, com descidas em 307 concelhos do país — só melhorou o resultado em Porto Moniz, na ilha da Madeira.

Os ventos laranja ganharam força no último ano. Depois de brisas ligeiras terem permitido à AD bater os socialistas em 2024, esta noite eleitoral trouxe crescimentos mais sólidos à coligação, com crescimentos superiores a cinco pontos percentuais numa centena de municípios do país.

A excepção é o anticiclone dos Açores, com descidas em quase todos os concelhos do arquipélago.

O furacão Chega tomou de assalto o país, sobretudo o Sul de Portugal. O partido de André Ventura venceu em 60 concelhos (mais 51 do que no ano passado) e, a faltar contar os votos dos círculos da emigração, tem o mesmo número de deputados do que o PS.

Descidas? Só em sete municípios do país: Porto Moniz, Mesão Frio, Alfândega da Fé, Vila de Rei, Oleiros, Mogadouro e Melgaço.

A Iniciativa Liberal até ganhou um deputado, mas viu os seus resultados mudar muito pouco, com variações mínimas em todo o território: não subiu nem desceu mais de 2% em nenhum concelho do país. Os liberais reforçam o seu estatuto de partido urbano: as maiores subidas acontecem em Lisboa, Oeiras, Cascais e Porto.

A contrariar o vendaval de direita surge o Livre. Ainda que com brisas tímidas, comparado com os movimentos da AD e do Chega, o partido conseguiu crescer quando o resto da esquerda caiu a pique. Conseguiu mais dois deputados e melhorou a percentagem de voto em 280 municípios, com descidas inferiores a 0,6 pontos percentuais nos restantes 28.

A CDU manteve a toada das duas últimas legislativas, com uma tendência generalizada de descida. Os comunistas perderam mais um deputado e desceram em 250 municípios do país, com as maiores quebras a concentrarem-se no Alentejo. Dos 58 concelhos onde melhorou resultados, só três tiveram uma subida superior a um ponto percentual — todos nos Açores (Corvo, Velas e Calheta).

Depois do PS, o maior derrotado da noite foi o BE, que apenas conseguiu eleger Mariana Mortágua — é o pior resultado dos bloquistas desde que entraram na Assembleia da República, em 1999. O partido desceu em 307 concelhos (subiu 0,1 em Vila do Porto), caindo para menos de metade da votação de 2024 em 80% dos municípios.

O PAN voltou a eleger uma deputada (Inês de Sousa Real), mas piorou o resultado face a 2024, com quebras em mais de 90% dos municípios, incluindo naqueles onde teve melhores resultados. Nos poucos onde cresceu, fê-lo muito pouco: nenhuma subida chegou aos 0,4 pontos percentuais.

A lufada de ar fresco da noite eleitoral veio da Madeira, onde o JPP conseguiu a eleição inédita de um deputado para a Assembleia da República. O partido já tinha ficado muito perto de o fazer em 2024 e acabou por consegui-lo agora, com subidas nos principais concelhos da Madeira a garantirem o resultado histórico: é o primeiro partido regional a chegar ao Parlamento.