O resultado da segunda volta não deixa margem para dúvidas: Seguro venceu em 303 dos 308 concelhos do país que foram a votos a 8 de Fevereiro. O mapa pinta-se quase inteiramente de rosa, num sinal claro de que o eleitorado que não havia votado em nenhum dos dois candidatos presentes na segunda volta optou maioritariamente pelo antigo secretário-geral do PS.

Ventura venceu em apenas dois concelhos: Elvas e São Vicente. Mesmo aí, as margens foram curtas.

Em Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, onde as eleições foram adiadas uma semana devido ao mau tempo, Seguro parte em vantagem, tendo vencido a primeira volta nos três municípios.

Apesar do domínio do candidato apoiado pelo Partido Socialista, André Ventura também ganhou votos. Com apenas dois candidatos em disputa, o líder do Chega absorveu votos dispersos na primeira volta por outros candidatos, crescendo em todos os concelhos.

Mas Seguro ganhou muito mais. O contraste é visível: as setas cor-de-rosa de Seguro são maiores do que as de Ventura. Em média, Seguro cresceu 33 pontos percentuais, enquanto Ventura cresceu apenas 9,6 pp. O candidato socialista beneficiou de uma transferência de votos de todo o espectro político.

Recuemos à primeira volta. O mapa era bem diferente: Ventura tinha sido o candidato mais votado em 80 concelhos, um quarto do total nacional.

Mesmo nesses municípios, Seguro venceu de forma muito convincente na segunda volta. O mapa transforma-se: onde antes havia azul escuro, surge agora o rosa. A concentração de votos numa corrida a dois beneficiou Seguro, que virou o resultado em 78 dos 80 municípios que Ventura tinha conquistado na primeira volta.