BCE pede aos bancos para se prepararem para possíveis sanções contra a Rússia

BCE preocupado com sanções e possíveis turbulências nos mercados financeiros se as tensões entre a Ucrânia e a Rússia se agravarem ainda mais. E apela aos bancos para se protegerem de ataques cibernéticos.

Foto
Reuters/WOLFGANG RATTAY

O Banco Central Europeu (BCE) pede aos bancos da zona euro para se prepararem para possíveis sanções económicas contra a Rússia se não houver um desanuviamento na crise com a Ucrânia.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

O Banco Central Europeu (BCE) pede aos bancos da zona euro para se prepararem para possíveis sanções económicas contra a Rússia se não houver um desanuviamento na crise com a Ucrânia.

Andrea Enria, presidente do conselho de supervisão do BCE, disse esta quinta-feira numa conferência de imprensa virtual que as exposições directas dos bancos da zona euro à Rússia estão “contidas”, não são muito elevadas e, portanto, não constituem uma grande preocupação.

A preocupação tem mais a ver com sanções e possíveis turbulências nos mercados financeiros se as tensões entre a Ucrânia e a Rússia se agravarem ainda mais, segundo Enria.

Uma das medidas mencionadas nos meios de comunicação social é a possibilidade de bloquear o acesso dos bancos russos ao sistema de pagamento internacional Swift. Enria considerou que bloquear o sistema Swift seria a medida mais impactante e disse que só foi aplicada uma vez no passado, ao Irão.

Em relação a esta crise Ucrânia-Rússia, mas não só por causa desta, “o risco tecnológico e o risco cibernético estão a tornar-se cada vez mais um foco importante da Supervisão Bancária do BCE”, acrescentou Enria.

O BCE apela, portanto, aos bancos para que, em geral, melhorem as medidas para mitigar estes riscos e para se protegerem de ataques cibernéticos.

Enria instou os bancos a “estabelecer uma estratégia tecnológica e a documentar a mesma, a afectar pessoal informático suficiente e a melhorar a formação dos seus empregados”.

Os bancos aumentaram recentemente os gastos em TI, em paralelo com o aumento da utilização de estratégias digitais, mas isto tem vindo a acontecer através do aumento da externalização, o que pode levar a problemas em assegurar a continuidade de funções críticas se os fornecedores externos interromperem a prestação de serviços devido a ataques cibernéticos.

Enria adverte também que, “apesar da pressão da supervisão nos últimos anos, as fragilidades da infra-estrutura tecnológica dos bancos e da arquitectura de dados de risco continuam a ser um obstáculo importante à agregação eficaz de dados a nível de grupo”.

“Por exemplo, temos observado frequentemente que os grupos bancários utilizam diferentes sistemas informáticos para realizar as mesmas tarefas ou tarefas semelhantes”, acrescentou.