Até ao fim de 2021, os cinemas estavam a começar a recuperar

Antes da entrada em vigor das medidas temporárias de Natal, o ano cinematográfico estava em recuperação.

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007 - Sem Tempo Para Morrer foi o filme mais visto em Portugal em 2021 UNIVERSAL PICTURES

A partir desta segunda-feira, volta a ser possível ir a uma sala de cinema só com certificado digital de vacinação válido. Era algo que, graças às medidas temporárias aplicadas durante a época de Natal, não se podia fazer desde 25 de Dezembro. Nessa altura, depois de mais de um ano e meio de pandemia, fechos, limitações de lotação e reaberturas, os cinemas pareciam estar a recuperar algum do fôlego que foram perdendo. Quando as medidas entraram em vigor, os números de afluência caíram brutalmente, ainda para mais numa época tradicionalmente de frequência de cinemas.

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A partir desta segunda-feira, volta a ser possível ir a uma sala de cinema só com certificado digital de vacinação válido. Era algo que, graças às medidas temporárias aplicadas durante a época de Natal, não se podia fazer desde 25 de Dezembro. Nessa altura, depois de mais de um ano e meio de pandemia, fechos, limitações de lotação e reaberturas, os cinemas pareciam estar a recuperar algum do fôlego que foram perdendo. Quando as medidas entraram em vigor, os números de afluência caíram brutalmente, ainda para mais numa época tradicionalmente de frequência de cinemas.

Esta quebra tem preocupado muito o sector, com várias queixas e exibidores e associações a pedirem o fim dos testes, com apelos ao Governo e outras iniciativas divulgadas esta quarta-feira. Quem o diz é António Paulo Santos, director-geral da FEVIP, a Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais. “Era um ano que não nos estava a correr mal, era excepcional, mas claramente de recuperação”, conta ao PÚBLICO. Mas, a partir de 25 de Dezembro, tudo mudou. Comparando com a média do mesmo período dos últimos quatro anos pré-pandemia, entre 2015 e 2019, explica, com números: “No dia 16 de Dezembro tínhamos 80% dessa média, no dia 17, 95%, no dia 18, 141%, no dia 19, 126%, no dia 20, 89%, no dia 21, 88%, 22, 83%, 23, 79%, 24, 69%, 25, 6%, 26, 25%, 27, 25%, 28, 28%, 29, 26%, 30, 18%, 31, 17%, 1 de Janeiro, 6%.” As previsões apontadas por António Paulo Santos representam, partilha, “uma queda de 700 mil espectadores, um prejuízo ou uma não-receita de quatro milhões e cem mil euros”.

Nos dias 24 e 25, bem como nos dias 31 e 1 de Janeiro, houve, como há sempre, menos sessões de cinema, e cinemas que nem abriram. “Aconteceu mais do que o normal por causa disto: os cinemas não tinham condições objectivas, há uma corrida louca aos testes, ninguém vai estar duas horas numa fila por um teste para ir ao cinema, ou gastar 50-60 euros num PCR para depois dar cinco euros para o cinema. Os cinemas não têm condições como os estádios de futebol, com empresas para fazerem testes. Não há testes, as farmácias já não marcam, estamos a criar uma situação de encerramento encapotado”, continua. “O dia 2 também foi miserável, os 3 e 4 também”, mantém o director-geral, que diz que os cinemas não teriam tido problemas em ter lotações limitadas em vez da obrigatoriedade de teste.

“O prejuízo já está causado”

António Paulo Santos fala em “discriminação” e regras diferentes das de outros negócios que em muito prejudicaram as salas, e diz estar até a ponderar apresentar queixa na Comissão Europeia. Mesmo com a necessidade de testes posta de lado, vai ser, afirma, “preciso investir mais dinheiro em publicidade e na comunicação directa e indirecta com os cinéfilos para esclarecer que já podem ir": “O prejuízo já está causado.”

Essencialmente, o único filme a que os portugueses têm continuado a ir, com 85.750 espectadores na semana de 23 a 29 de Dezembro e 26.023 na de 30 de Dezembro a 5 de Janeiro, é Homem-Aranha: Sem Volta a Casa​, de Jon Watts, que quebrou recordes e foi um fenómeno à escala mundial mesmo com a ameaça da variante Ómicron. Os segundos e terceiros classificados desta última semana, Cantar! 2, de Garth Jennings, e Matrix Resurrections, de Lana Wachowski, fizeram, respectivamente 4894 e 4113 espectadores.

Ainda não há dados definitivos do ICA, mas as contas permitem perceber que o filme mais visto em Portugal em 2021 foi 007 - Sem Tempo Para Morrer, de Cory Joji Fukunaga, com Homem-Aranha: Sem Volta a Casa, que só se estreou a 16 de Dezembro, logo em segundo lugar.

À volta do mundo, Homem-Aranha: Sem Volta a Casa tornou-se, em apenas duas semanas, o filme mais visto de 2021. Destronou The Battle at Lake Changjin​, o filme de acção de Chen Kaige, Tsui Hark e Dante Lam que é o filme chinês mais caro de sempre e ficou em segundo lugar. Em terceiro, outro filme chinês, uma comédia dramática, Hi, Mom, de Jia Ling, e, em quarto, 007 - Sem Tempo para Morrer. Já em quinto, Velocidade Furiosa 9, de Justin Lin.

No top dos dez mais vistos há ainda outra produção chinesa, Detective Chinatown 3, de Chen Sicheng, em sexto lugar. Curiosamente, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis​, de Daniel Destin Cretton, um filme Marvel feito a pensar na China, com grandes estrelas como Tony Leung e Michelle Yeoh no elenco secundário, não chegou a estrear-se no país que cada vez mais importância tem para as bilheteiras de cinema internacionais, tendo ficado em nono lugar do topo. Além deste e de Homem-Aranha, só há mais dois filmes de super-heróis propriamente ditos no topo, Venom: Tempo de Carnificina, de Andy Serkis, e Eternals - Eternos, de Chloé Zhao, em sétimo e décimo lugar. Godzilla vs. Kong, de Adam Wingard​, completa os mais vistos em oitavo lugar.