EUA confirmam boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim

Casa Branca quer enviar uma “mensagem clara” ao Governo da China, que fala, por sua vez, em “afronta a 1,4 mil milhões de chineses”.

Foto
A decisão foi tomada “devido ao genocídio e aos crimes contra a humanidade” na província de Xinjiang, disse a porta-voz Jen Psaki Leah Millis/Reuters

A Casa Branca confirmou esta segunda-feira que levará a cabo um boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que terão lugar em Pequim, em resposta às violações dos direitos humanos cometidas pelo governo chinês em Xinjiang. Assim, nenhum alto funcionário da Administração norte-americana comparecerá no evento, uma situação sem precedentes desde 1980.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

A Casa Branca confirmou esta segunda-feira que levará a cabo um boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que terão lugar em Pequim, em resposta às violações dos direitos humanos cometidas pelo governo chinês em Xinjiang. Assim, nenhum alto funcionário da Administração norte-americana comparecerá no evento, uma situação sem precedentes desde 1980.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que a Administração de Joe Biden está a enviar uma “mensagem clara” de que os abusos da China não podem ficar impunes, confirmando que a decisão foi tomada “devido ao genocídio e aos crimes contra a humanidade” na província de Xinjiang.

Embora não vá enviar uma delegação diplomática, a Casa Branca expressou o seu “total apoio” aos atletas que representarão os EUA na Olimpíada, insistindo, ao mesmo tempo, que não está disposta a “contribuir para a fanfarra dos Jogos”. Psaki acrescentou que os EUA não consideram um “passo correcto ou justo” aplicar um boicote total aos Jogos, pois penalizaria os atletas americanos.

O possível boicote norte-americano começou a ser falado nas últimas semanas. O próprio Joe Biden reconheceu em Novembro que o boicote diplomático estava sobre a mesa, após ter sido pressionado por figuras proeminentes quer do Partido Republicano quer do Partido Democrata, incluindo a democrata Nancy Pelosi, líder da Câmara dos Representantes.

Numa primeira reacção ao anúncio dos EUA, o jornal oficial Global Times publicou uma mensagem na sua conta do Twitter: “Honestamente, os chineses estão aliviados por ouvir esta notícia, porque quanto menos americanos vierem, menos vírus serão introduzidos no nosso país”.

Antes do anúncio norte-americano, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, acusara a Administração norte-americana de estar a “promover um boicote diplomático mesmo sem ser ter sido convidada para os Jogos”.

“Quero enfatizar que os Jogos Olímpicos de Inverno não são um palco para a manipulação política”, disse Zhao. “É uma grave caricatura do espírito da Carta Olímpica, uma flagrante provocação política flagrante e uma séria afronta a 1,4 mil milhões de chineses.”

A última vez que uma medida semelhante foi aplicada aconteceu em 1980, com Jimmy Carter na Casa Branca, quando os Estados Unidos boicotaram diplomática e desportivamente os Jogos Olímpicos de Moscovo em protesto contra a invasão soviética do Afeganistão, sendo seguidos por mais 64 nações e territórios. Os atletas portugueses competiram sob a bandeira do Comité Olímpico de Portugal.