110 Histórias, 110 Objectos: o protótipo da TLMoto

O podcast 110 Histórias, 110 Objectos, do Instituto Superior Técnico, é um dos parceiros da Rede PÚBLICO.

No podcast 110 Histórias, 110 Objectos, um dos parceiros da Rede PÚBLICO, percorremos os 110 anos de história do Instituto Superior Técnico (IST) através dos seus objectos do passado, do presente e do futuro. Neste episódio n.º 15 do podcast, ouvimos falar sobre o protótipo da TLMoto.

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No podcast 110 Histórias, 110 Objectos, um dos parceiros da Rede PÚBLICO, percorremos os 110 anos de história do Instituto Superior Técnico (IST) através dos seus objectos do passado, do presente e do futuro. Neste episódio n.º 15 do podcast, ouvimos falar sobre o protótipo da TLMoto.

“Há mais do que vrum vrum nas motas. Há muito essa coisa de dizer que motas eléctricas ou carros eléctricos não têm muita piada. Aconselho essas pessoas a experimentarem conduzir uma mota ou um carro eléctrico. Vão mudar a sua opinião sobre mobilidade eléctrica. Aquilo que se consegue neste momento fazer com carro e moto eléctrica é capaz de dar mais prazer às pessoas do que um carro a combustão. A mobilidade eléctrica permite-nos expandir ainda mais os horizontes das coisas”.

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O protótipo da TLMoto Débora Rodrigues

A explicação é de Diogo Vicente, líder da equipa TLMoto entre 2019 e 2020, actualmente a terminar o curso de Engenharia Mecânica. O discurso serve-nos também para apresentar o protótipo TLM03e, a segunda mota eléctrica (e terceiro protótipo) desenvolvida por este projecto de estudantes do Instituto Superior Técnico e que é descrita como “o culminar de seis anos de projecto e de várias experiências que esta equipa tem vindo a acumular”.

Gonçalo Jacob, actual líder da equipa e estudante de Engenharia Aeroespacial, confirma a ideia: “Não é a primeira mota eléctrica, mas é a primeira mota eléctrica fiável e que anda com uma certa capacidade para nos sentirmos confiantes. Conseguimos atingir um patamar de ter uma mota capaz e a partir de agora é só introduzir melhorias”, explica. “É um protótipo que tem mais potência, mais autonomia e tem o mesmo peso [das versões anteriores]. Atinge 42 kw de pico, potência correspondente a cerca de 50 cavalos, e uma velocidade de cerca de 180 km/h.

A principal diferença para as motas de combustão, que continuam a conseguir velocidades mais altas, é a aceleração: um motor eléctrico tem muito mais força. A força de um motor eléctrico vem logo desde início e depois começa a diminuir”, complementa. A mota tem por base os chassis das duas primeiras versões mas “tem muitos mais detalhes que permite ser uma mota mais rápida de trabalhar, como a inclusão de novos hardwares na mota, como telemetria, que nos vai permitir saber o que se está a passar com o piloto em pista”, explica Diogo Vicente.

A mota, que será o trunfo da equipa na competição internacional MotoStudent na categoria de veículos eléctricos, foi construída quase na íntegra pelos estudantes do IST. “É quase tudo feito por nós. O projecto é mesmo nós aprendermos e sermos nós a desenvolver e a construir”, explica Gonçalo Jacob. As excepções: As obrigações da organização da competição, como pneus, travões e motor, outras que não justificam o esforço de construção, como rodas e as suspensões. 

O TLMoto, fundado em 2013, foi o primeiro projecto de estudantes em Portugal a desenvolver uma mota eléctrica, mas também o primeiro a criar uma mota a combustão (o primeiro protótipo do projecto), que se estreou na MotoStudent de 2014. A partir do ano seguinte, o projecto abraçou o desafio da mobilidade eléctrica e integrou essa categoria. “A primeira mota eléctrica deu-nos dores de cabeça com a parte electrónica, que era a parte nova do projecto, impossibilitando-nos de fazer a derradeira corrida em Espanha em 2018. No entanto, estivemos presentes e ficámos bem classificados na apresentação do nosso projecto de Engenharia”, recorda Diogo Vicente.

Quanto à mota movida a combustão – a TLM01i – que competiu durante 3 anos, está neste momento literalmente espalhada pela oficina do projecto. “Temos ali as carenagens, aqui o braço oscilante e o quadro. Ali debaixo daquele armário está o motor. Naquele carrinho estão a maior parte das peças que faltam. Está um pouco desmontada. Este ano decidimos focar-nos apenas na mota eléctrica. A mota a combustão não é uma prioridade”, mostra-nos Gonçalo numa visita guiada pelo espaço. Nesses anos de competição aprenderam que “de prova para prova se deve desmontar a mota toda para verificar se há algum problema com o quadro, com o braço oscilante, essas coisas todas, fazer uma limpeza a fundo na mota para garantir que no próximo fim-de-semana de corridas ela está impecável”, explica.

Para o futuro deste projecto, que conta já com o envolvimento de cerca de 60 estudantes do Técnico, Gonçalo Jacob aponta como objectivo principal um bom desempenho em competição da TLM03e. “Termos uma mota capaz e fiável e fazer o maior número de testes possível para ajudar a desenvolver a TLM04”, defende. E aponta um objectivo ainda mais importante: “Ter uma equipa capaz e unida para que seja ela a definir os objectivos e a trabalhar para eles. É a equipa junta que tem que definir o rumo”, complementa.

O podcast 110 Histórias, 110 Objectos é um dos parceiros da Rede PÚBLICO. É um programa do Instituto Superior Técnico com realização de Marco António (366 ideias) e colaboração da equipa do IST composta por Filipa Soares, Sílvio Mendes, Débora Rodrigues, Patrícia Guerreiro, Leandro Contreras, Pedro Garvão Pereira e Joana Lobo Antunes.

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