Covid-19: professora não vacinada infectou metade dos seus alunos na Califórnia

Estudo publicado pelo CDC conta caso de professora no Condado de Marin, na Califórnia, que desencadeou surto de 26 casos, entre os quais 12 alunos da sua turma e quatro encarregados de educação.

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Rui Gaudêncio

Uma professora do primeiro ciclo não vacinada contagiou metade dos seus alunos depois de ter sido infectada com a variante Delta do SARS-CoV-2, na Califórnia, de acordo com um estudo dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla inglesa).

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Uma professora do primeiro ciclo não vacinada contagiou metade dos seus alunos depois de ter sido infectada com a variante Delta do SARS-CoV-2, na Califórnia, de acordo com um estudo dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla inglesa).

Segundo o estudo do CDC, divulgado na sexta-feiraa professora foi dois dias à escola já com sintomas de covid-19, durante os quais chegou a ler em voz alta para a turma sem máscara.

Foram infectados 12 dos 22 alunos da sua sala de aula que foram testados — com outros dois estudantes a não serem submetidos ao teste. Os alunos infectados estavam, quase sempre, mais próximos da secretária da professora, de acordo com a planta da sala de aula divulgada pelo CDC.

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Planta da sala de aula CDC

O caso de contágio remonta a Maio deste ano no Condado de Marin, no norte do estado da Califórnia. A professora terá começado a apresentar sintomas a 19 de Maio, com congestão nasal e fadiga, mas continuou a ir à escola. O teste com resultado positivo foi registado a 21 de Maio, já depois de sentir febre, dores de cabeça e tosse.

A partir daí, oito dos dez alunos das duas primeiras filas da sala de aula tiveram covid-19 e quatro da segunda metade da sala ficaram infectados, ainda que, segundo os pais, todos cumprissem bem as normas de segurança como a utilização de máscara. Na primeira fila, todos os cinco alunos ficaram infectados: a criança mais próxima da secretária, assintomática, teve um teste com resultado positivo a 24 de Maio. As outras quatro apresentaram sintomas a partir de 23 ou 24 de Maio e tiveram um teste positivo entre dia 24 e 26.

Na segunda fila, três alunos tiveram teste com resultado positivo à covid-19, um não estava infectado e outro não foi testado. Relativamente às últimas três filas, houve outros quatro alunos infectados, dois dos quais sintomáticos, e nove não contagiados. Um não foi testado.

No total, a mulher terá desencadeado um surto que infectou outras 26 pessoas, 21 das quais crianças e, por isso, fora de idades elegíveis para vacinação, que está autorizada apenas a partir dos 12 anos. Dos quatro adultos infectados, apenas um não estava vacinado (um encarregado de educação). Todos acabaram por apresentar sintomas da infecção, com sintomas como febre, arrepios, tosse, dores de cabeça e perda de olfacto.

O estudo do CDC reporta ainda que, para controlar o surto, a Saúde Pública do Condado de Marin realizou duas acções de testagem, a 26 de Maio e 2 de Junho. Foram testadas 231 pessoas (194 de 205 alunos da escola, 21 de 24 trabalhadores e 16 pais e irmãos de alunos). Não foram identificados mais casos.

Numa conferência de imprensa na sexta-feira, a directora do CDC, Rochelle Walensky, sublinhou que este caso comprova a eficácia das medidas de prevenção de contágio e reforça a necessidade da vacinação para reduzir o risco de surtos.

“As provas têm demonstrado repetidamente que as várias camadas de estratégias de prevenção, tais como a vacinação de todas as crianças e adultos elegíveis, a utilização de máscara por estudantes, professores, auxiliares e visitantes, a ventilação, o distanciamento e a testagem, funcionam para prevenir a propagação da covid-19 nas escolas”, disse a responsável.