Refém, o baralho de cartas que joga com os estereótipos femininos

Adriana Ferreira desenvolveu um projecto fotográfico que, através de um baralho de cartas, denuncia os preconceitos de que as mulheres são alvo. O trabalho pretende expor as situações pelas quais a autora passou através de um jogo.

Foto
Adriana Ferreira

As aparências enganam e, por isso, o trabalho fotográfico Refém, de Adriana Ferreira, pretende demonstrar o papel que os estereótipos desempenham na vida das mulheres. O projecto consiste numa espécie de jogo que ganha forma num baralho de cartas, com imagens que retratam os preconceitos que o sexo feminino sofre, independentemente da indumentária.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

As aparências enganam e, por isso, o trabalho fotográfico Refém, de Adriana Ferreira, pretende demonstrar o papel que os estereótipos desempenham na vida das mulheres. O projecto consiste numa espécie de jogo que ganha forma num baralho de cartas, com imagens que retratam os preconceitos que o sexo feminino sofre, independentemente da indumentária.

A premissa do ensaio fotográfico é perceber “como a forma como nos apresentamos influencia o que os outros pensam sobre nós”, explica a autora ao P3. Numa série de auto-retratos, o cenário e as expressões são iguais em todas as fotografias, o único elemento que se altera é o vestuário: “Fui explorando várias facetas, como empresarial, desportiva ou mais casual”.

Foto
Adriana Ferreira

“Os auto-retratos têm um lado sarcástico contido em si, estão tão sem expressão que é irónico ser considerado sugestivo”, comenta Adriana, de 21 anos. Assim, o jogador posiciona-se na pele da autora – já que os momentos descrevem situações pelas quais a própria fotógrafa passou.

O baralho de cartas tem um código de barras e um manual de instruções para se assemelhar o mais possível a um jogo – e é ainda aconselhado “a toda a família” (outra ironia contida no trabalho). Podem jogar, no máximo, quatro pessoas e cada uma vai ter sete imagens. Distribuídas as cartas, cada jogador pega num dos retratos e associa-o a uma citação. Isto, segundo a autora natural de Estarreja, “activa os estereótipos que cada um tem dentro de si”.

Foto
Adriana Ferreira

O objectivo do trabalho, elaborado na licenciatura em Fotografia no Instituto Politécnico de Tomar, é “trazer a discussão deste tema para cima da mesa”. Para já, o ensaio não está à venda nem em exposição, mas Adriana quer manter o projecto Refém em aberto para que haja mais desenvolvimentos. Quem sabe até outras pessoas poderiam participar, partilhando as suas histórias neste jogo. Se estiver interessado em consultar os restantes trabalhos fotográficos da autora, pode aceder ao seu Instagram ou site.

Texto editado por Ana Maria Henriques