SPD pela primeira vez à frente numa sondagem para as eleições alemãs

Inquérito do instituto Forsa dá apenas um ponto percentual de diferença dos dois partidos, mas é a primeira vez que o partido de centro-esquerda fica à frente dos conservadores numa sondagem deste instituto em 15 anos.

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Olaf Scholz em campanha em Bochum, na Renânia do Norte-Vestefália LEON KUEGELER/Reuters

A corrida para as eleições alemãs de 26 de Setembro parece mais aberta do que nunca, com uma sondagem do instituto Forsa a mostrar o Partido Social-Democrata (SPD) à frente da União Democrata-Cristã (CDU/CSU), com 23% para o SPD e 22% para a CDU/CSU. É a primeira vez em 15 anos que uma sondagem da Forsa mostra o SPD à frente, ainda que por uma diferença mínima.

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A corrida para as eleições alemãs de 26 de Setembro parece mais aberta do que nunca, com uma sondagem do instituto Forsa a mostrar o Partido Social-Democrata (SPD) à frente da União Democrata-Cristã (CDU/CSU), com 23% para o SPD e 22% para a CDU/CSU. É a primeira vez em 15 anos que uma sondagem da Forsa mostra o SPD à frente, ainda que por uma diferença mínima.

Várias sondagens vinham já a mostrar uma tendência de subida do SPD, que depois de duas coligações com a chanceler Angela Merkel (2005/09 e 2017) ficaram marcados por o que alguns analistas chamaram “a maldição de Merkel” – os seus partidos de coligação desciam sempre nas eleições seguintes. Aconteceu também com o Partido Liberal Democrata, que depois de entrar numa coligação com a líder da CDU, ficou pela primeira vez na sua história fora do Parlamento.

Mas com Merkel a sair de cena e o candidato da CDU/CSU, o ministro-presidente do estado federado da Renânia do Norte-Vestefália Armin Laschet, a não conseguir afirmar-se e a sofrer o efeito de uma risada apanhada pelas câmaras numa visita a locais afectados pelas cheias, quem parece estar a beneficiar é o SPD, e a maldição de estar na chamada grande coligação (uma espécie de bloco central) parece ter-se transformado numa vantagem: o chamado bónus do incumbente, que premeia quem se recandidata, parece estar a ir para o ministro das Finanças, Olaf Scholz.

A queda da CDU/CSU é, por outro lado, muito acentuada: este é o valor mais baixo registado pela Forsa desde a sua fundação em 1984.

Os Verdes, que começaram com um bom fôlego para logo serem alvo de ataques dos outros partidos e uma campanha contra a sua candidata, Annalena Baerbock, estão com tendência descendente, tendo descido um ponto percentual nesta sondagem, ficando com 18%.

Na sondagem da Forsa, o Partido Liberal Democrata (FDP) está com 12% das intenções de voto e o nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) 10%, enquanto Die Linke (A Esquerda) tem 6%.

As coligações mais prováveis são inéditas na política nacional alemã, prevendo-se, com base nestas sondagens, um governo com três partidos, podendo ser chefiados pela CDU/CSU ou pelo SPD, parecendo menos provável, por agora, uma chanceler dos Verdes, o que seria também uma estreia absoluta. Até hoje, existiram quatro coligações na história da política alemã do pós-guerra: CDU/CSU e liberais; SPD e liberais; CDU e SPD ("grande coligação"); e SPD e Verdes. Nenhuma destas combinações parece poder vir a ter uma maioria depois de 26 de Setembro e a Alemanha nunca teve um governo minoritário.