O que fazer depois de um incêndio? As recomendações da Ordem dos Psicólogos

Destinado a quem vivenciou um desastre natural e a todos os que se possam relacionar com as pessoas afectadas, o documento dá respostas sobre o que pode ser feito para ajudar a enfrentar a situação vivida.

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Nelson Garrido

A Ordem dos Psicólogos disponibilizou nesta segunda-feira um documento com recomendações para ajudar adultos e crianças a lidar com situações de calamidade como os incêndios que todos os anos afectam o país. Elaborado em conjunto com a Direcção-Geral da Saúde, o documento tem como objectivo ajudar a gerir emoções e compreender alterações de comportamento na sequência de acontecimentos traumáticos para a comunidade ou a nível pessoal.

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A Ordem dos Psicólogos disponibilizou nesta segunda-feira um documento com recomendações para ajudar adultos e crianças a lidar com situações de calamidade como os incêndios que todos os anos afectam o país. Elaborado em conjunto com a Direcção-Geral da Saúde, o documento tem como objectivo ajudar a gerir emoções e compreender alterações de comportamento na sequência de acontecimentos traumáticos para a comunidade ou a nível pessoal.

Destinado a quem vivenciou um desastre natural e a todos os que se possam relacionar com as pessoas afectadas, o documento “Como Lidar com um Desastre Natural” dá respostas sobre o que pode ser feito para ajudar a enfrentar a situação vivida, sejam crianças, adolescentes, adultos, pessoas idosas ou a própria comunidade, anunciou a organização em comunicado.

“Vivenciar um incêndio pode afectar a saúde e o bem-estar psicológico, uma vez que provoca um conjunto intenso de emoções e reacções que podem persistir. É comum haver sentimentos de medo e ansiedade, mas também de dificuldade em aceitar a realidade ou mesmo de responsabilidade pelo que aconteceu”, de acordo com a Ordem.

Assim, nas crianças e adolescentes é comum o sentimento de tristeza, ansiedade, preocupação com o que acontecerá a seguir, vontade de chorar ou de bater em alguém, medo, confusão, falta de atenção, dificuldade em adormecer, dores de cabeça ou de barriga.

Porém, recuperam do impacto do acontecimento de várias formas, dependendo da idade, do significado atribuído ao incêndio, de experiências anteriores e da capacidade de lidar com a adversidade. “Para que os jovens se sintam melhor é essencial falar sobre o que aconteceu, aceitar o que se está a sentir, compreender as mudanças, relembrar que não somos responsáveis pelo que aconteceu e pedir ajuda, se necessário”, recomendam os psicólogos.

Os pais e cuidadores devem, por isso, estar atentos a reacções como mais dependência dos familiares, mais agitação, mais isolamento, mais birras, mais agressividade, mudança no desempenho escolar, pesadelos, entre outros comportamentos.

Nos adultos, o stress, o desespero e a perda de controlo são “sentimentos normais” em quem vive a experiência de um incêndio. “Depois da primeira reacção de choque e negação, podem surgir sentimentos intensos e imprevisíveis (mudanças de humor ou irritação), alterar-se padrões de pensamento e comportamento (falta de concentração ou dificuldade em tomar decisões), intensificar-se relações interpessoais (discussões ou isolamento) ou mesmo sinais físicos (dores de cabeça, insónias)”, adverte a Ordem dos Psicólogos.

O primeiro passo para ultrapassar a situação é “aceitar que as emoções intensas são uma resposta normal ao impacto emocional e ao stress causado pelo incêndio”.