Taliban conquistam Kandahar e Herat, a segunda e a terceira maiores cidades afegãs

Com os “estudantes de teologia” perigosamente perto da capital afegã, EUA e Reino Unido vão enviar tropas para retirar a maioria dos civis que integram as suas representações.

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A delegação dos taliban em Doha Reuters

O dia tinha começado com os taliban a capturar a sua décima capital de província, Ghazni, a 150 km de Cabul. As notícias eram más, mas ainda iriam piorar: ao início da noite, os taliban conquistavam Herat, no Ocidente, içando a sua bandeira na sede da polícia da terceira maior cidade do país. E quando já era sexta-feira no Afeganistão, responsáveis afegãos citados pela Associated Press confirmavam que os “estudantes de teologia” tinham tomado Kandahar, a grande cidade do Sul, berço do movimento fundamentalista.

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O dia tinha começado com os taliban a capturar a sua décima capital de província, Ghazni, a 150 km de Cabul. As notícias eram más, mas ainda iriam piorar: ao início da noite, os taliban conquistavam Herat, no Ocidente, içando a sua bandeira na sede da polícia da terceira maior cidade do país. E quando já era sexta-feira no Afeganistão, responsáveis afegãos citados pela Associated Press confirmavam que os “estudantes de teologia” tinham tomado Kandahar, a grande cidade do Sul, berço do movimento fundamentalista.

“O inimigo fugiu” de Herat, regozijava-se, no Twitter, Zabihullah Mujadih, um dos porta-vozes do grupo. Um corresponde da AFP na cidade assistiu ao içar da bandeira e falou com um alto responsável de segurança que confirmou a retirada das tropas leais ao Governo “para impedir mais estragos na cidade”.

Herat, a 150 km da fronteira com o Irão, capital da província com o mesmo nome, estava cercada há dias. O mesmo acontecia com Kandahar, de onde chegavam relatos de confrontos cada vez mais ferozes. Quando a cidade caiu, já de noite, segundo apurou a AP, os principais responsáveis do Governo e os seus funcionários conseguiram alcançar o aeroporto e fugir.

Há uma semana, a milícia islamista somava quase metade dos distritos do país, mas não governava nenhum grande centro urbano, agora controla 12 das 34 capitais e quase todas as principais cidades, do Norte ao Sul, com excepção de Cabul. Ghazni fica perigosamente localizada a 150 km da capital e numa estrada principal que liga Cabul ao Sul do Afeganistão.

Face a este cenário, os Estados Unidos passaram os últimos dias a tentar reanimar as negociações entre os taliban e o Governo, em Doha, a capital do Qatar onde Washington negociou a sua saída com os radicais. Em Doha desde terça-feira, o enviado dos norte-americanos, Zalmay Khalilzad, tem-se reunido com responsáveis taliban e com os enviados do Presidente afegão, Ashraf Ghani.

Segundo a Al-Jazeera, a delegação do Governo afegão já ofereceu aos taliban a possibilidade de partilha de poder em troca do fim da violência. Alguns media afegãos confirmaram a notícia, mas não houve comentários oficiais.

Em paralelo, Khalilzad reuniu-se esta quinta-feira com representantes de outras potências, como a China e a Rússia. Da reunião saiu um comunicado onde se pede o fim imediato das hostilidades e a aceleração do processo de paz. Como forma de pressão aos “estudantes de teologia”, estes países afirmam que não irão reconhecer nenhum governo “imposto através do uso da força militar”.

Ao mesmo tempo, tanto os EUA como o Reino Unido decidiram acelerar a saída dos seus cidadãos civis no Afeganistão. Um dia depois de desmentir qualquer intenção de evacuar a embaixada em Cabul, Washington anunciou que vai reduzir o pessoal a um núcleo mínimo e enviar 3000 soldados para o aeroporto da cidade, onde deverão coordenar estas saídas. O mesmo se prepara para fazer Londres, que vai mandar 600 militares para retirar 200 diplomatas e alguns dos 4000 afegãos que esperam refúgio no Reino Unido, depois de terem trabalhado com os britânicos.