Festival de Poesia de Lisboa debate mundo pós-pandemia e homenageia Mia Couto

A proposta para esta sexta edição que começa a 12 de Setembro é a de estabelecer um diálogo com as poéticas da terra e as suas narrativas históricas.

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Mia Couto é o homenageado da edição deste ano do FPL PP PAULO PIMENTA

O escritor moçambicano Mia Couto é o autor homenageado este ano no VI Festival de Poesia de Lisboa, que decorre entre 12 e 18 de Setembro de modo virtual, sob o mote da reconstrução do mundo pós-pandemia. Poetas de seis países diferentes vão dialogar sobre o assunto “Terra: uma poética de nós”, tema da edição deste ano do festival, que contará com a participação, além do escritor homenageado, de Boaventura de Sousa Santos, Heloísa Buarque de Hollanda, Luz Ribeiro, Ondjaki, Fado Bicha, TRANSarau e Judite Canha Fernandes, entre outros, anunciou a organização.

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O escritor moçambicano Mia Couto é o autor homenageado este ano no VI Festival de Poesia de Lisboa, que decorre entre 12 e 18 de Setembro de modo virtual, sob o mote da reconstrução do mundo pós-pandemia. Poetas de seis países diferentes vão dialogar sobre o assunto “Terra: uma poética de nós”, tema da edição deste ano do festival, que contará com a participação, além do escritor homenageado, de Boaventura de Sousa Santos, Heloísa Buarque de Hollanda, Luz Ribeiro, Ondjaki, Fado Bicha, TRANSarau e Judite Canha Fernandes, entre outros, anunciou a organização.

A proposta para esta sexta edição é a de estabelecer um diálogo com as poéticas da terra e as suas narrativas históricas, através das vivências social, económica e política. Desde a demarcação de terras para a expressão digna de povos originários, até os movimentos urbanos de luta pelo direito à habitação, passando pela diáspora negra e de pessoas em situação de refúgio, e pelo espaço que um corpo não-normativo pode ocupar nos territórios, os debates visam a reconstrução de um mundo melhor e mais inclusivo.

FPL é uma iniciativa sem fins lucrativos criada em 2016, que tem como principal objectivo a valorização da Língua Portuguesa e o incentivo à leitura. Este ano, “a programação foi desenhada sob o tema “Terra - uma poética de nós” e por isso minha abordagem foi a de aproximar territórios distantes para debates urgentes, em um mundo que quer se reconstruir pós-pandemia. Um mundo que precisa emergir com mulheres, LGBTs, negros e negras, um mundo que precisa dar vez aos conhecimentos do Hemisfério Sul”, afirmou o curador do festival, João Inneco.

É nesse contexto que surge a escolha de Mia Couto como autor homenageado do Festival de Poesia de Lisboa (FPL). “Por sua obra, que dialoga com a relação do homem com a terra, tanto do ponto de vista histórico como biológico, sua contribuição para a Literatura Africana de Língua Portuguesa e nossa necessidade de conhecer e debater a obra de um autor de outro país lusófono - que não seja Brasil ou Portugal”, explicou Jannini Rosa, idealizadora e directora do festival, destacando ainda a premissa subjacente a este evento de “sempre homenagear um autor vivo, possibilitando ao público uma experiência única de troca e conhecimento”.

Também a co-organizadora do FPL, Carla de Sà Morais, ressalta as “muitas lições de vida que dele provêm, o seu amor pela terra” e toda a alusão que a ela faz através dos seus poemas, e as causas que defende e apoia”, e que fazem de Mia Couto “o homenageado ideal”. “Em várias das suas obras, ele recria a língua portuguesa sob a influência moçambicana utilizando o vocabulário das diversas regiões do país”, assinalou a poeta.

Entre os vários destaques da programação, o curador aponta uma mesa, em que Mia Couto participará com Boaventura de Sousa Santos, intitulada “Pelas Epistemologias do Sul”, bem como uma outra, realizada em parceria com o Instituto Camões e com o Centro Cultural Português em Brasília, intitulada “Itinerários das poetas do agora”, com Heloisa Buarque de Holanda (Brasil), Judite Canha Fernandes (Portugal) e Enia Lipanga (Moçambique).

Ao todo, serão nove mesas, seis saraus, três oficinas e três espectáculos poéticos que vão compor este festival, que contará ainda com uma cerimónia de prémios, cujo primeiro lugar terá direito a um troféu de participação e à publicação de um livro de poesia, com lançamento na Festa Literária Internacional de Paraty de 2022. “Um espectáculo imperdível é o que assinamos em parceria com o Museu da Língua Portuguesa -- “TRANSarau convida Fado Bicha e André Tecedeiro” -, que coloca em cena os discursos género-dissidentes, que também estão em disputa por voz e espaço nos territórios”, adiantou João Inneco.

A programação é aberta ao público geral através das redes sociais do festival. Os poetas inscritos terão acesso às três oficinas de criação literária, um espectáculo poético exclusivo, participação no concurso de poesias, publicação do poema na antologia “Terra: uma poética de nós” e ainda três exemplares do livro. A sexta edição do FPL tem apoio do Instituto Camões, do Espaço Espelho D"Água, do Museu da Língua Portuguesa e da Associação ILGA de Portugal.