João Duarte foi o eleito pelos trabalhadores para a administração da TAP

Tripulante de cabine, ganhou com 42,51% dos votos. Economista Ricardo Paes Mamede ficou em segundo lugar, com 18,98%.

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No dia A 24 de Junho vai realizar-se a assembleia geral da TAP SGPS LUSA/MÁRIO CRUZ

Os trabalhadores da TAP escolheram um tripulante de cabina, João Duarte, para os representar no conselho de administração da empresa. O candidato escolhido arrecadou 42,51% dos votos, ficando bastante acima do segundo mais votado, o economista Ricardo Paes Mamede, que, mesmo com o apoio do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos e Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal, não foi além dos 18,98%. Ao todo, houve seis candidatos.

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Os trabalhadores da TAP escolheram um tripulante de cabina, João Duarte, para os representar no conselho de administração da empresa. O candidato escolhido arrecadou 42,51% dos votos, ficando bastante acima do segundo mais votado, o economista Ricardo Paes Mamede, que, mesmo com o apoio do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos e Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal, não foi além dos 18,98%. Ao todo, houve seis candidatos.

Trabalhador da TAP desde 1992, João Duarte, segundo as informações recolhidas pelo PÚBLICO, candidatou-se depois de ter recolhido as assinaturas necessárias para participar no acto eleitoral.

“Vivemos tempos difíceis, enfrentámos desafios que nunca esperámos, vimos acontecer coisas que não deviam ter acontecido, ouvimos dizer coisas que não deveriam ter sido ditas, lemos coisas que não deveriam ter sido escritas. Daqui para a frente é preciso valorizar mais o papel dos trabalhadores com mais respeito, dignidade e equidade”, escreveu João Duarte no site que criou ligado ao processo eleitoral.

O representante na administração escreveu numa mensagem aos trabalhadores da TAP que “no meu entender e da esmagadora maioria dos colegas com quem venho a falar, este representante deve ser um de nós”. “Não podemos, nem devemos entregar a outros a condução do nosso destino”, vincou. A eleição contou com 46,57% dos trabalhadores, não tendo sido comunicados valores absolutos.

Em comunicado, o Ministério das Infra-estruturas diz que se congratula “com a forma exemplar e participada como decorreu o processo de escolha do representante dos trabalhadores do grupo TAP”. “A eleição deste administrador não-executivo permitirá aos trabalhadores serem parte das decisões que se tomam na empresa, acompanhando mais de perto tanto dos seus sucessos como das suas dificuldades”, diz o comunicado do ministério de Pedro Nuno Santos.

“Ao mesmo tempo”, acrescenta-se, esta escolha “permitirá ao conselho de administração ouvir mais de perto a voz dos trabalhadores e avaliar de forma mais informada o impacto que as decisões tomadas têm na forma de trabalhar dos milhares de pessoas que fazem, todos os dias, a vida do grupo TAP”.

A nomeação de João Duarte como administrador não executivo deverá ser formalizada no próximo dia 24 de Junho, dia em que se irá realizar a assembleia geral da TAP SGPS, com a escolha dos membros dos órgãos e corpos sociais para o período de 2021-2024. O grupo, onde o Estado detém 72,5%, conta neste momento com um capital próprio negativo de 2417,8 milhões de euros. De acordo com o Eco, Christine Ourmières-Widener, ex-presidente da Flybe, será a escolhida para a presidente executiva TAP.

Neste momento, a TAP está perto de avançar com um despedimento colectivo. De acordo com as informações da transportadora aérea, que teve um prejuízo de 365 milhões no primeiro trimestre deste ano, estão ainda identificados 206 trabalhadores em excesso face às metas de redução desenhadas pela gestão.

Estes já foram retirados do layoff, permitindo assim que possam vir a ser despedidos de forma unilateral caso não aceitem as condições que estão a ser postas cima da mesa pela companhia, como rescisão por mútuo acordo ou passagem para a Portugália. O PÚBLICO questionou a TAP sobre quando é que os trabalhadores têm de dar uma resposta e quando poderá ser tomada a decisão de avançar com um despedimento colectivo na empresa pública mas não obteve resposta.