A semana dos congressos das direitas e das esquerdas

O chamado congresso das direitas trouxe, mais do que respostas, uma série de questões. Á esquerda, foi tudo mais cristalino.

Na agenda estava apenas uma convenção, a que comummente acabámos a chamar “congresso das direitas”, mas esta acabou por ser também a semana do congresso das esquerdas. Vou começar por este, porque foi menos evidente. O BE realizou a sua convenção em Matosinhos, em que ficou claro que muito dificilmente voltará atrás no seu voto contra do último Orçamento do Estado (OE). Catarina Martins, em versão doce e cândida, encerrou os trabalhos mostrando toda a sua disponibilidade para dialogar com o Governo. Mas, cruzando aquele discurso com o resto da convenção, facilmente se chega à conclusão de que o BE se esforçou por desarmadilhar Costa ou, por outras palavras, por não cair na armadilha que lhe é estendida pelo líder do PS de, se houver um bloqueio para a aprovação do OE2022, atribuir todas as responsabilidades ao partido fundado por Francisco Louçã, Miguel Portas e Luís Fazenda. Para o BE, tudo aquilo que o PS faz é pouco para apoiar a classe média e os mais pobres, tudo aquilo que faz é pouco para afrontar os grandes interesses e muitos empresários como os que desfilaram com desfaçatez pela comissão de inquérito ao Novo Banco nas últimas semanas (e em que a deputada do BE Mariana Mortágua se fez destacar). É pouco e quase ninguém naquele pavilhão de Matosinhos acredita que mudará muito.

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Na agenda estava apenas uma convenção, a que comummente acabámos a chamar “congresso das direitas”, mas esta acabou por ser também a semana do congresso das esquerdas. Vou começar por este, porque foi menos evidente. O BE realizou a sua convenção em Matosinhos, em que ficou claro que muito dificilmente voltará atrás no seu voto contra do último Orçamento do Estado (OE). Catarina Martins, em versão doce e cândida, encerrou os trabalhos mostrando toda a sua disponibilidade para dialogar com o Governo. Mas, cruzando aquele discurso com o resto da convenção, facilmente se chega à conclusão de que o BE se esforçou por desarmadilhar Costa ou, por outras palavras, por não cair na armadilha que lhe é estendida pelo líder do PS de, se houver um bloqueio para a aprovação do OE2022, atribuir todas as responsabilidades ao partido fundado por Francisco Louçã, Miguel Portas e Luís Fazenda. Para o BE, tudo aquilo que o PS faz é pouco para apoiar a classe média e os mais pobres, tudo aquilo que faz é pouco para afrontar os grandes interesses e muitos empresários como os que desfilaram com desfaçatez pela comissão de inquérito ao Novo Banco nas últimas semanas (e em que a deputada do BE Mariana Mortágua se fez destacar). É pouco e quase ninguém naquele pavilhão de Matosinhos acredita que mudará muito.