No autocarro da linha 400 do Porto, a música entra na próxima paragem

O programa Azevedo, da associação Pele, apresenta o Linha Musical 400, um ciclo de concertos à boleia do autocarro 400, que liga o centro do Porto a Azevedo. Todos os sábados, entre 29 de Maio e 19 de Junho, as viagens incluem um espectáculo.

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Arianna Casellas Arianna Casellas/Lovers & Lollypops

O autocarro da linha 400 da STCP é “particular”, diz Fernando Almeida, co-director artístico do programa Azevedo, da associação Pele. É a única linha a unir a Avenida dos Aliados, no centro do Porto, a Azevedo, a única forma de deslocação entre os dois lugares para quem não tem transporte próprio. É um percurso onde se cumpre a rotina casa-trabalho, trabalho-casa. Por isso, a associação Pele, com a Lovers and Lollypops, escolheu-o para entrar no quotidiano dos portuenses e transformá-lo.

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O autocarro da linha 400 da STCP é “particular”, diz Fernando Almeida, co-director artístico do programa Azevedo, da associação Pele. É a única linha a unir a Avenida dos Aliados, no centro do Porto, a Azevedo, a única forma de deslocação entre os dois lugares para quem não tem transporte próprio. É um percurso onde se cumpre a rotina casa-trabalho, trabalho-casa. Por isso, a associação Pele, com a Lovers and Lollypops, escolheu-o para entrar no quotidiano dos portuenses e transformá-lo.

De que forma é que o autocarro é um espaço privilegiado de relação e auscultação? Como é a vida das pessoas que nele viajam? Como pode a vida do dia-a-dia ser interrompida por algo como a arte? São inquietações que o ciclo de concertos Linha Musical 400, com início a 29 de Maio, tenta despertar e a que tenta responder.

“Queremos trazer novos públicos para o autocarro, cruzá-los com as pessoas que diariamente o utilizam, e perceber que riqueza pode emergir desses diálogos e relações”, explica Fernando Almeida, co-director artístico, com Rodrigo Malvar, do programa Azevedo. “Quando temos interesses diferentes é mais fácil espoletar discussão. E a discussão é sempre o princípio de qualquer coisa.”

Azevedo é um programa de criação artística da Pele, fundado para aproximar o lugar de Azevedo, na freguesia de Campanhã, marcado pela pobreza, habitações precárias, uma população envelhecida e escassez de transportes, e a comunidade residente, a artistas nacionais e internacionais. É no seu projecto designado Centro Cultural Móvel, sobre acessibilidade e participação cultural entre o centro das cidades e a periferia, que se inclui a iniciativa Linha Musical 400.

Pelas paragens de Aliados, São Lázaro, Campanhã, Freixo e Azevedo, no horário das 17h, e, no sentido inverso, no horário das 18h, passarão quatro artistas. O violinista Samuel Martins Coelho, a cantora venezuelana Arianna Casellas, Julius Gabriel, saxofonista alemão a viver no Porto, e, no encerramento do ciclo, a 19 de Junho, o trio portuense Conferência Inferno, que tocará música electrónica, num final “mais celebrativo”.

“Não defendemos a ideia de ‘levar a cultura a...’, porque tem um sentido paternalista. Mas acreditamos que podemos, pontualmente, intervir nos territórios para criar apontamentos transformadores”, diz Fernando Almeida, em entrevista ao P3. “A cultura, o gosto, o intelecto, existem em todos nós. Só temos de perceber como, na diversidade, potenciar novos diálogos, indo para o espaço público, confrontando as pessoas. É a diversidade que pode trazer riqueza a um território.”

O Linha Musical 400 resulta de uma parceria entre a Pele, a Lovers and Lollypops, responsável pela curadoria, a STCP e a Junta de Freguesia de Campanhã. A validação do título para a viagem servirá como bilhete, mas a lotação do autocarro estará reduzida, devido às limitações impostas pela pandemia.