Há um novo programa de apoio à dança e à performance para quem quer fazer e decidir como dá a ver o que faz

O principal objectivo do Self-Curating é promover a autonomia e a liberdade dos artistas, ao mesmo tempo que contribui para a a criação de um circuito de apresentação alternativo.

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Amo-te. Mesmo que não compreendas, de Tiago Vieira, artista associado ao projecto Self-Mistake Alípio Padilha/Produções Independentes

A necessidade não é de hoje, mas o último ano de pandemia e a indefinição dos tempos que estamos ainda a viver tornaram tudo mais urgente. O encerramento dos teatros e de outros espaços de apresentação mais convencionais, a estagnação das programações e a situação difícil, insustentável até, em que vivem muitos dos artistas que se viram impossibilitados de trabalhar exigem novos modelos de intervenção.

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A necessidade não é de hoje, mas o último ano de pandemia e a indefinição dos tempos que estamos ainda a viver tornaram tudo mais urgente. O encerramento dos teatros e de outros espaços de apresentação mais convencionais, a estagnação das programações e a situação difícil, insustentável até, em que vivem muitos dos artistas que se viram impossibilitados de trabalhar exigem novos modelos de intervenção.

O projecto Self-Mistake juntou-se por isso à ORG.I.A e à Produções Independentes, duas organizações que promovem o trabalho independente e a partilha de meios de produção na área da dança e da performance, para lançar um novo programa de apoio à criação, o Self-Curating.

Como o próprio nome indica, esta linha de apoio destina-se aos artistas que, para além das actividades de investigação e de criação, querem ser também responsáveis pelas condições de produção e apresentação do seu próprio trabalho.

De acordo com o comunicado que a Self-Mistake fez chegar às redacções, esta nova linha de apoio tem por alvo a criação experimental e independente e vai privilegiar a apresentação ao vivo de obras “em contextos e espaços alternativos aos convencionais e institucionais”, “de forma autónoma, flexível e livre”. 

A ideia, para além de garantir o apoio financeiro e a consultoria, quando necessária, no desenvolvimento do projecto a apresentar, é contribuir para a definição de um novo circuito de apresentação de artes performativas, pode ler-se no mesmo comunicado. 

Como funciona o programa? Os artistas interessados deverão enviar as suas propostas até 31 de Julho, submetendo para esse efeito um documento breve (duas páginas, no máximo) em que falam de si e do seu projecto, avançando, ou não, uma sugestão de valor da bolsa a ser atribuída e dos locais de apresentação do trabalho que dela resultar. A esta fase segue-se a das entrevistas com os artistas pré-seleccionados.

Este programa, que conta com financiamento da Direcção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Lisboa, através da vereação da Cultura e do Fundo de Emergência Social, tem, ao que parece, um processo de candidatura altamente simplificado e quer privilegiar um acesso mais directo – e menos hierárquico – dos artistas aos meios de produção e de apresentação das suas criações na área da dança e da performance.

O objectivo desta nova iniciativa é, resume o projecto Self-Mistake, “provocar um novo circuito artístico fora da programação convencional a partir das margens da criação, ou seja, de artistas que estão fora dos circuitos institucionais, artistas em busca de novas linguagens, artistas disponíveis para arriscar, para experimentar o erro e a falha, num contexto mais livre, proporcionando-lhes a escolha para se apresentarem nos seus próprios contextos e tempos”.