Covid-19: Pessoas com deficiência intelectual excluídas de manobras de reanimação no Reino Unido

A denúncia é de uma organização de defesa de pessoas com deficiências cognitivas. A maioria destes pacientes está excluída da primeira fase de vacinação no Reino Unido.

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Adriano Miranda

Uma ONG britânica revela que foram dadas orientações para que pessoas com deficiência intelectual não fossem reanimadas em caso de falha cardiopulmonar em contexto de covid-19, relata o jornal The Guardian. A organização Mencap, que apoia britânicos com patologias como a síndrome de Down, afirma que, em Janeiro, recebeu denúncias relativas a pessoas com deficiência intelectual que terão sido informadas de que não seriam reanimadas caso entrassem em estado crítico devido à infecção pelo coronavírus.

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Uma ONG britânica revela que foram dadas orientações para que pessoas com deficiência intelectual não fossem reanimadas em caso de falha cardiopulmonar em contexto de covid-19, relata o jornal The Guardian. A organização Mencap, que apoia britânicos com patologias como a síndrome de Down, afirma que, em Janeiro, recebeu denúncias relativas a pessoas com deficiência intelectual que terão sido informadas de que não seriam reanimadas caso entrassem em estado crítico devido à infecção pelo coronavírus.

A notícia deste sábado ganha especial relevo considerando que, e segundo dados divulgados na semana passada pelo gabinete de estatísticas britânico, seis em cada dez mortes relacionadas com a covid-19 em Inglaterra foram de pessoas com algum tipo de deficiência.

A comissão britânica para a qualidade dos cuidados médicos (CQC, na sigla em inglês) já tinha declarado em Dezembro que, durante o ano de 2020, as ordens para não aplicar manobras de reanimação cardiopulmonar em alguns doentes causaram mortes potencialmente evitáveis sobretudo em residentes em lares, cita o Guardian.

Agora, estas ordens de não reanimação, normalmente apensas aos ficheiros de pacientes com um estado de saúde demasiado frágil para suportarem manobras de reanimação cardiorrespiratória, estarão a ser emitidas em determinados casos apenas porque os pacientes padecem de deficiência intelectual, denuncia-se.  

O director-executivo da Mencap, Edel Harris, afirmou ao jornal que, “ao longo da pandemia, muitas pessoas com dificuldades cognitivas enfrentaram discriminações chocantes e obstáculos no acesso aos cuidados de saúde”. 

As associações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência têm pressionado o governo britânico no sentido de dar prioridade no programa de vacinação a pessoas com dificuldades cognitivas, tendo em conta o aumento de estudos que apontam para uma maior probabilidade de morte em caso de infecção pelo coronavírus.