Ana Rita Barradas espalha o seu gosto pela física através do associativismo

Esta quinta-feira comemora-se o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência e há iniciativas online. Ana Rita Barradas, estudante de Engenharia Física e presidente da Physis, é uma das participantes de um desses debates.

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Ana Rita Barradas DR

Há uns anos, Ana Rita Barradas olhava para as estrelas e queria saber mais sobre elas. Quando estava no ensino secundário, começou a procurar mais informação e a requisitar muitos livros sobre física e astronomia na biblioteca. “Lia bastante sobre isso e acabei por me apaixonar”, conta agora aos 21 anos. A astronomia acabou por guiá-la até ao curso de Engenharia Física da Universidade de Coimbra. Actualmente é a presidente da Physis - Associação Portuguesa de Estudantes de Física e esta quinta-feira vai participar no Debate: Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência. Esta quinta-feira assinala-se o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência.

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Há uns anos, Ana Rita Barradas olhava para as estrelas e queria saber mais sobre elas. Quando estava no ensino secundário, começou a procurar mais informação e a requisitar muitos livros sobre física e astronomia na biblioteca. “Lia bastante sobre isso e acabei por me apaixonar”, conta agora aos 21 anos. A astronomia acabou por guiá-la até ao curso de Engenharia Física da Universidade de Coimbra. Actualmente é a presidente da Physis - Associação Portuguesa de Estudantes de Física e esta quinta-feira vai participar no Debate: Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência. Esta quinta-feira assinala-se o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência.

A universidade rouba-lhe muito tempo e Ana Rita Barradas já não se dedica tanto às leituras sobre astronomia como gostaria. “Essa paixão foi ficando um bocadinho mais esquecida”, confessa a estudante. Mas depressa nos conta que foi ganhando outras paixões: “Gosto muito da física da matéria condensada!” A verdade é que o curso em engenharia física lhe tem mostrado novos mundos. Agora está num mestrado sobre instrumentação e diz ter desenvolvido “um especial interesse” pela área de machine learning (aprendizagem automática). No último semestre teve mesmo a oportunidade de desenvolver um projecto nesta área associado à física da matéria condensada. O objectivo era estudar o comportamento de machine learning através de um conjunto de combinações de materiais e avaliar a energia ligada a cada combinação.

Nem só a matéria do curso fascina Ana Rita Barradas. “Há um ambiente bastante amigável na relação entre professores e alunos”, revela. Por o seu curso não ter muitos estudantes, também torna possível a proximidade entre estudantes e promove a entreajuda entre todos.

O número de rapazes no seu curso é superior ao das raparigas, mas a estudante diz que tem vindo a observar-se uma diminuição da diferença percentual entre rapazes e raparigas nos cursos de Física e Engenharia Física no país ao longo dos anos. “Se formos ver o concurso nacional de acesso ao ensino superior, notamos que a tendência está a ficar cada vez mais igual ao nível do número de raparigas e rapazes”, realça. Vejamos alguns exemplos. De acordo com os dados da 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, em 2019, nos cursos de Física no país entraram entre 26 e 36% de raparigas. Já nos cursos de Engenharia Física foram entre 30 e 41% a entrar.

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Ana Rita Barradas numa actividade da Physis DR

Embora haja um aumento do número de mulheres nestes cursos, Ana Rita Barradas não esquece que o cenário já foi bem diferente. “Apesar de achar que cada vez mais este tema é motivo de conversa, ainda está enraizado o ‘poder’ dos homens na ciência. Há 80 anos quase só víamos homens a trabalhar na ciência.”

Referências bem perto

Ao longo dos anos, no seu curso, a estudante diz que tem notado uma certa desistência das raparigas, mas as que ficam “ganham um grande espaço no que é a sua importância na ciência”. E perto de si tem referências: a directora do Departamento de Física da Universidade de Coimbra é Constança Providência. Também considera que o facto de mais mulheres terem recebido prémios Nobel nos últimos anos possa motivar mais raparigas a escolher o caminho da física. Este tipo de prémios pode ter uma importância tal que Ana Rita Barradas tem como outra das suas referências Marie Curie, que recebeu o Nobel da Física em 1903 e depois o da Química em 1911. “Não sinto que falte incentivo às raparigas para entrarem no curso.”  

Ana Rita Barradas acaba por dedicar o seu tempo livre ao associativismo e aqui também encontra um bom peso das mulheres na física. As presidentes dos núcleos de estudantes de física do Porto, de Aveiro e do Instituto Superior Técnico são mulheres. Através da Physis acaba também por motivar outras pessoas a gostar de física. Como? Ao desenvolver actividades para o ensino secundário ou a organizar debates sobre o financiamento ou futuro da física no país.

Esta quinta-feira, às 18h, o debate online em que participará assinalará o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência. Esta sessão é organizada pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas e a Sociedade Portuguesa de Física. Além de Ana Rita Barradas, participarão João Sobrinho Teixeira (secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior); Beatriz Gomes Dias (deputada do Bloco de Esquerda e professora); Helena Pereira (presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia); Negesse Pina (representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior na Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género); e Teresa Firmino (jornalista no PÚBLICO).

Esta quinta-feira arranca também o Ciclo de Workshops Raparigas nas Engenharias e Tecnologias. Este ciclo partiu da Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e é coordenado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género em articulação com Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão, o Instituto Superior Técnico e a Ordem dos Engenheiros. A iniciativa decorre entre Fevereiro e Maio e espera-se que alcance mais de 2000 estudantes em sessões online. As primeiras, esta quinta-feira, denominam-se Engenharia é ciência? (às 10h) e Um pequeno passo para as Mulheres…Um grande passo para a humanidade (às 14h30).

Já o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) celebra este dia com a sessão online Astronomia no feminino, que conta com a participação de Teresa Lago, secretária-geral da União Astronómica Internacional, e das investigadoras do IA Catarina Lobo, Margarida Cunha, Lara Sousa e Gabriella Gilli. A sessão começa às 21h no canal de Youtube do IA.