Covid-19: Austrália sem transmissão comunitária em sete dos últimos oito dias

Política estrita de quarentenas à chegada e um confinamento rigoroso levaram a que há sete dias não haja novos casos de infecção pelo vírus que provoca a covid-19, excepto em pessoas vindas de fora.

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O primeiro-ministro australiano, Scott Morrisson, foi criticado por uma "ditadura da saúde" durante o longo confinamento de Melbourne DARREN ENGLAND/EPA

Há sete dias nos últimos oito que não é registado um caso de infecção por coronavírus transmitido na comunidade, disse o ministro da Saúde do país, Gregory Hunt, no Twitter – há apenas testes com resultado positivo em pessoas vindas de fora, que são obrigadas a passar duas semanas nos “hotéis de quarentena”. 

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Há sete dias nos últimos oito que não é registado um caso de infecção por coronavírus transmitido na comunidade, disse o ministro da Saúde do país, Gregory Hunt, no Twitter – há apenas testes com resultado positivo em pessoas vindas de fora, que são obrigadas a passar duas semanas nos “hotéis de quarentena”. 

Uma destas pessoas foi a jogadora de ténis Paula Badosa, que teve um teste positivo enquanto cumpria a quarentena num hotel de Melbourne, depois de ter viajado no mesmo voo que uma pessoa que estava infectada. Neste momento estão em isolamento neste hotel 72 jogadores de ténis, para poderem participar no Grand Slam de 8 a 12 de Fevereiro na cidade.

“O Centro Nacional de Incidência informa de um sétimo dia de zero novos casos de transmissão comunitária [do coronavírus] relativos aos últimos oito dias”, disse o ministro, Gregory Hunt. Ou seja, em sete dos últimos oito dias não houve casos. “Infelizmente vimos mais de 16 mil mortes e mais de 670 mil casos de covid nas últimas 24 horas [no mundo]. Apesar das dificuldades, mantemo-nos um santuário graças ao trabalho de tantos”. 

O programa de quarentena rigorosa à chegada tem sido um dos pilares do sucesso da Austrália em relação ao covid, e em muitos estados sem transmissão comunitária as autoridades já começaram a aliviar restrições: o estado de Victoria, que tem a maior população do país, passou a permitir, por exemplo, encontros em casa com mais de 30 pessoas, duplicando o limite anterior de 15.

Como a quarentena é obrigatória e tem de ser feita num dos hotéis designados pelas autoridades, há ainda um limite de pessoas que podem entrar no país em cada semana: durante o mês de Janeiro e até meados de Fevereiro, o limite foi fixado em 2500 em resposta à entrada de pessoas com a variante primeiro detectada no Reino Unido, que é transmitida com mais facilidade.

Isto causou, no entanto, problemas a dezenas de milhares de australianos que querem voltar a casa, e actualmente 38 mil aguardam a possibilidade de regresso, diz o diário britânico The Guardian.

O responsável da principal autoridade de saúde da Austrália, Paul Kelly, disse que o país está “neste momento numa posição invejável comparada com o resto do mundo”. Mas as restrições “nas fronteiras internacionais são uma das últimas coisas que vai mudar”, avisou. Mesmo depois de começar o programa de vacinação, o que deverá acontecer dentro de algumas semanas, “isso não vai fazer tudo voltar ao normal”.

"Ditadura da saúde"

A Austrália recuperou de uma segunda vaga em Melbourne cuja origem foi atribuída a um destes hotéis de quarentena, que recorreram a seguranças privados sem formação em controlo epidemiológico, em Maio. A transmissão ter-se-á dado “por práticas insuficientes de controlo da infecção no meio ambiente”, segundo um relatório entregue ao Governo em Novembro.

O que se seguiu, no início de Julho, foi o que o British Medical Journal descreve como “um dos mais estritos confinamentos do mundo, que durou 112 dias, em Melbourne”. Os cinco milhões de habitantes da cidade ficaram sujeitos a restrições com o objectivo de manter um quinto das pessoas em casa. Numa das zonas desfavorecidas da cidade, foi mesmo decretada proibição total de sair, assegurada pela polícia.

Mesmo assim, os resultados tardavam, e havia muitos contágios entre profissionais de saúde (um terço do total) e os seus familiares (outro terço). Os testes não davam resultados suficientemente rápidos para que os rastreadores de contactos impedissem nova transmissão. “Foi a diferença entre documentar um surto ou fazer descer o número de casos para impedir mais surtos”, comentou Catherine Bennett, epidemiologista da Universidade de Deakin, ao British Medical Journal.

O sistema de rastreamento começou finalmente a ser eficaz em Outubro. “Se tivesse acontecido mais cedo, não teria sido necessário manter o confinamento tanto tempo”, diz Bennett. A 27 de Outubro, começaram a ser levantadas as restrições de modo faseado.

A abordagem do duro, e longo, confinamento também foi criticada politicamente: o antigo primeiro-ministro Tony Abbott falou de uma “ditadura da saúde”.

No total, a Austrália registou 909 mortes de covid-19, num total de 28.755 casos.