David Valadao, o republicano luso-descendente que votou contra Trump

Representa um dos distritos eleitorais da Califórnia, tal como o também luso-descendente Devin Nunes. Na quarta-feira, foi um dos dez republicanos que votaram a favor da destituição do Presidente dos EUA.

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Dez republicanos votaram a favor da destituição do Presidente dos EUA LUSA/US HOUSE OF REPRESENTATIVES HANDOUT

Chama-se David Goncalves Valadao, tem 43 anos, é filho de portugueses dos Açores, e é congressista do Partido Republicano na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América. Foi eleito para representar um dos gigantescos distritos eleitorais da Califórnia, paredes-meias com o distrito liderado por Devin Nunes, outro republicano luso-descendente. Mas é aqui que acabam as semelhanças entre os dois: na quarta-feira, enquanto Nunes confirmava a sua lealdade à prova de bala a Donald Trump, Valadao foi um dos dez republicanos que votaram a favor do processo de destituição do Presidente dos EUA.

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Chama-se David Goncalves Valadao, tem 43 anos, é filho de portugueses dos Açores, e é congressista do Partido Republicano na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América. Foi eleito para representar um dos gigantescos distritos eleitorais da Califórnia, paredes-meias com o distrito liderado por Devin Nunes, outro republicano luso-descendente. Mas é aqui que acabam as semelhanças entre os dois: na quarta-feira, enquanto Nunes confirmava a sua lealdade à prova de bala a Donald Trump, Valadao foi um dos dez republicanos que votaram a favor do processo de destituição do Presidente dos EUA.

“Perante os factos que estão à minha disposição, tenho de confiar no meu instinto e votar em consciência”, disse o congressista, no Twitter, minutos depois da votação na câmara baixa do Congresso norte-americano. “Votei a favor da destituição do Presidente Trump. A sua retórica de incitamento [à violência] foi antiamericana, abominável e punível com a destituição. Chegou a altura de pôr o país acima da política.”

Em menos de 24 horas, desde que a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o segundo impeachment de Trump em pouco mais de um ano, a página de David Valadao no Facebook foi um dos destinos mais procurados por eleitores republicanos furiosos. Até quarta-feira, cada post de Valadao tinha, no máximo, uma centena de comentários; ao início da tarde desta quinta-feira, a mensagem em que o congressista explica o seu voto tinha quase 6000 comentários.

“Acabou de perder o meu apoio. Lamento ter feito campanha por si. Se eu quisesse eleger um democrata, teria votado em Terrence Cox. Estou muito desiludida”, lê-se numa das muitas mensagens críticas da decisão do congressista republicano.

Lá pelo meio, surgem algumas mensagens de apoio: “Obrigado por ter posto o país à frente do partido. Foi um voto muito difícil para si, e eu tenho orgulho da sua coragem.”

Para além de David Valadao, outros nove republicanos votaram a favor do impeachment do Presidente Trump por “incitamento a uma insurreição”, pelo seu papel nos momentos que antecederam a invasão e ocupação do Capitólio, na semana passada.

Num discurso aos milhares de apoiantes que se deslocaram a Washington D.C. no dia 6 de Janeiro, Donald Trump encorajou-os a marcharem até ao edifício do Congresso dos EUA e a “lutarem” contra a certificação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial.

O processo de destituição – equivalente a uma acusação, e que só levará à saída de Trump da Casa Branca se o Presidente dos EUA for condenado pelo Senado – foi aprovado com 232 votos a favor e 197 contra.

Entre os 435 membros da Câmara dos Representantes dos EUA (um por cada distrito eleitoral dos 50 estados do país) há quatro congressistas com antepassados portugueses: Valadao e Nunes, ambos republicanos; e Jim Costa e Lori Loureiro Trahan, ambos democratas.

Costa, de 68 anos, também representa um distrito eleitoral da Califórnia, como Valadao e Nunes; e Trahan foi eleita num distrito do estado do Massachusetts. Ambos votaram a favor do processo de destituição de Trump.