UE vai discutir exportação de armas para a Turquia com a NATO, diz Merkel

Merkel disse que o bloco europeu quer coordenar-se com a Aliança Atlântica e com o próximo Presidnete dos EUA antes de tomar decisões. Decisão sobre sanções contra Ancara adiada para Março.

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Angela Merkel, chanceler da Alemanha, país que está a terminar a presidência rotativa da UE JOHANNA GERON/Reuters

Os líderes da UE vão discutir as exportações de armas para a Turquia com os aliados da NATO, disse nesta sexta-feira a chanceler alemã, Angela Merkel, depois de a Grécia ter pressionado para que haja um embargo de venda de armas a Ancara.

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Os líderes da UE vão discutir as exportações de armas para a Turquia com os aliados da NATO, disse nesta sexta-feira a chanceler alemã, Angela Merkel, depois de a Grécia ter pressionado para que haja um embargo de venda de armas a Ancara.

Merkel fez declarações depois de, na cimeira europeia em Bruxelas, os 27 chefes de Estado e de Governo terem concordaram em preparar sanções limitadas devido à disputa de uma zona do Mediterrâneo Oriental onde existe gás entre a Turquia, a Grécia e Chipre (Ancara começou a fazer prospecção), mas adiou as discussões sobre medidas mais duras a adoptar para Março.

“Falámos sobre o facto de as questões sobre exportações de armas deverem ser discutidas dentro da NATO. Dissemos que nos queremos coordenar com a nova Administração dos EUA quanto à Turquia”, disse Merkel numa conferência de imprensa.

Muitos estados da UE são membros da NATO, de que a Turquia faz parte. Os comentários de Merkel sublinham o endurecimento da posição da UE em relação a Ancara, sendo que vários países resistiram, no passado, à adopção de medidas punitivas contra a Turquia, que tem no sue território refugiados sírios em fuga da guerra e que ali são mantidos para não procurarem refúgio na Europa.

Mas os Estados membros tornaram-se críticos do envolvimento da Turquia na Líbia e da compra de um sistema de armas russo. Washington está prestes a anunciar a imposição de sanções à Turquia devido à aquisição do sistema de defesa antimíssil S-400 russo.

O Ministério dos Negócuis Estrangeiros turco rejeitou, nesta sexta-feira, a abordagem da cúpula da UE às sanções a que chamou “tendenciosa e ilegal”. O Presidente turco, Recep Erdogan, pediu aos governos dos Estados Unidos e da UE para deixarem de ser influenciados pelos lobbies anti-turcos. Mas, num tom conciliatório, disse acreditar que as questões podem ser resolvidas através do diálogo.

As tensões aumentaram depois da decisão turca de enviar navios de perfuração de petróleo e gás para águas ao largo do sul de Chipre, onde as autoridades cipriotas gregas já concederam direitos de exploração de hidrocarbonetos a empresas italianas e francesas.

A Turquia afirma estar a operar em águas da plataforma continental ou em áreas onde os cipriotas turcos têm direitos. Também acusou repetidamente a Grécia de se recusar a negociar sobre suas reivindicações marítimas e acusou a União Europeia de ser tendenciosa em relação à Grécia e à Turquia.

A UE exportou apenas 45 milhões de euros em armas (incluindo mísseis) e munições para a Turquia em 2018, de acordo com o gabinete de estatísticas da UE, Eurostat. Mas as vendas de aeronaves chegaram a vários bilhões de euros.

Os Estados Unidos, Itália e Espanha foram os principais exportadores de armas para a Turquia de 2015-2019, de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), um importante centro de pesquisas sobre conflitos e armamento.