Tablóide russo diz que Navalny estava a ser vigiado quando adoeceu

Jornal relata vigilância apertada ao opositor do Presidente Vladimir Putin durante viagem à Sibéria. Apoiantes de Navalny dizem que não é novidade e questionam motivo da divulgação.

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Manifestação de apoio a Navalny, em São Petersburgo LUSA/ANATOLY MALTSEV

Alexei Navalny, o crítico do Presidente russo, Vladimir Putin, que está em coma no Hospital Charité em Berlim depois do que se suspeita ter sido um envenenamento, estava a ser vigiado por agentes dos serviços de secretos de Moscovo antes de adoecer, segundo um tablóide russo.

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Alexei Navalny, o crítico do Presidente russo, Vladimir Putin, que está em coma no Hospital Charité em Berlim depois do que se suspeita ter sido um envenenamento, estava a ser vigiado por agentes dos serviços de secretos de Moscovo antes de adoecer, segundo um tablóide russo.

O jornal Moskovski Komsomolets cita fontes de segurança detalhando os dias anteriores de Navalny, durante uma viagem a Novosibirsk e Tomsk, na Sibéria. 

O jornal publicou informação desde o que tinha Navalny comido, os veículos em que se tinha deslocado, como a dada altura a equipa que os seguia se teve de dividir em duas porque os carros dos vigiados tomaram caminhos diferentes, até ao facto de terem sido reservados mais quartos de hotel do que os necessários para a equipa e de Navalny não ter dormido naquele que estava em seu nome.

“A escala da vigilância não é nada surpreendente, estávamos perfeitamente conscientes dela antes”, disse a secretária para a imprensa Kira Iarmish. “O surpreendente é que não se tenham coibido em descrevê-la”, comentou no Twitter.

Já o responsável pela sua sede de campanha, Leonid Volkov, questionou nas redes sociais a necessidade de ter “um enorme número de agentes à civil, de vigiar todos os movimentos, hotéis, encontros” de Navalny. “Peço desculpa mas porquê? Será Navalny um criminoso procurado?” 

A equipa de Navalny tinha anunciado para este domingo à noite um briefing online com tudo o que é conhecido sobre o que aconteceu desde o suspeito envenenamento no voo de Tomsk para Moscovo (o voo acabou por deixar Navalny em Omsk, onde ficou internado num hospital local) até à demora na autorização para que fosse transferido para o Hospital Charité em Berlim.

A sua equipa diz que esta demora teve como objectivo impedir a identificação do veneno usado ou impedir mesmo que chegasse a tempo de poder ser tratado.​

O editor de política do jornal independente Novaia Gazeta, Kirill Martinov, escreveu que não há explicação para o coma de Navalny que não seja o envenenamento com o objectivo de o matar ou deixar incapacitado. “Durante dois dias inteiros, todo o poder do Estado russo foi canalizado para esconder o que aconteceu no aeroporto de Tomsk”, acusou Martinov.

“Os médicos, sob tutela próxima das autoridades competentes, foram dando versões cada vez mais contraditórias e absurdas do que teria acontecido, desde envenenamento com uma substância encontrada nos copos de plástico até uma baixa do açúcar no sangue aguda e espontânea”, escreveu o jornalista.

O hospital alemão disse que até segunda-feira não haveria novidades, enquanto realizam testes ao estado do doente, considerado estável, mas grave.

Navalny acabou em Julho com a sua Fundação Anti-Corrupção que se dedica a denunciar corrupção de políticos, oligarcas e burocratas russos, depois de lhe terem sido impostas uma série de multas. Mas disse que iria estabelecer outra para fazer o mesmo trabalho logo de seguida. Criou ainda um canal de YouTube para divulgar as suas investigações, o canal tem mais de 4 milhões de subscritores.

Foi impedido de se candidatar às eleições de 2018 e tem sido detido por organizar protestos, tendo já passado centenas de dias preso.