OMS admite que pode nunca vir a existir uma “panaceia” contra a covid-19

Apesar de haver várias vacinas a apresentar resultados promissores durante os ensaios clínicos, OMS avisa que ainda não há e “talvez nunca existe” uma cura definitiva para a covid-19.

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Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS Reuters/POOL New

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que talvez nunca venha a existir “uma panaceia” contra a pandemia de covid-19, apesar das investigações em curso que procuram conseguir uma vacina contra a doença. 

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que talvez nunca venha a existir “uma panaceia” contra a pandemia de covid-19, apesar das investigações em curso que procuram conseguir uma vacina contra a doença. 

“Há uma série de vacinas que estão agora na fase 3 dos ensaios clínicos, e todos esperamos ter várias vacinas eficazes que consigam ajudar a prevenir o contágio. Mas não há nenhuma panaceia neste momento e talvez não exista nunca”, declarou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no discurso de abertura da conferência de imprensa da OMS sobre a evolução da pandemia no mundo, esta segunda-feira, através da Internet.

Com mais de 18,1 milhões de casos no mundo e quase 690 mil mortes, o director-geral da OMS incitou os países a impor rigorosamente as medidas de protecção sanitária como o uso de máscaras, o distanciamento social, a higienização regular das mãos e a aposta na testagem intensiva.

“A mensagem para as pessoas e governos é clara: façam tudo”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçando que é preciso manter os esforços depois de controlada a situação.

“Quando a situação estiver sob controlo, continuem. Continuem a reforçar os sistemas de saúde. Continuem a melhorar a vigilância, o rastreio de contactos e assegurar que serviços de saúde afectados sejam reiniciados o mais rapidamente possível. Mantenham as protecções e serviços de monitorização instalados, porque o levantamento demasiado rápido das restrições pode levar a um ressurgimento de contágios”, alertou.

Sobre os países com taxas de transmissão altas, como o Brasil e a Índia, Mike Ryan, especialista em doenças infecciosas, lembrou que o combate ao vírus não é fácil.

“O caminho é longo e requer um compromisso sustentado”, disse o director executivo do programa de emergências sanitárias da OMS, apelando ainda um “recomeço” da política de combate à pandemia em algumas nações.

“Alguns países vão mesmo ter que dar um passo atrás e parar para observar como estão a lidar com a pandemia dentro das suas fronteiras.”