Viana espera aumento de 30% nas exportações até 2025 com nova via no vale do Neiva

Câmara Municipal firmou protocolo com a Infra-estruturas de Portugal para a elaboração do projecto para a obra, avaliada em oito milhões de euros e destinado a servir as indústrias da zona, já hoje responsáveis por 30% das exportações do concelho.

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ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

Na zona mais a sul do concelho de Viana do Castelo, vai nascer uma via de 5,2 quilómetros que tenciona ligar com mais rapidez as indústrias do vale do rio Neiva à A28. A Câmara Municipal e o secretário de Estado das Infra-estruturas, Jorge Delgado, assinaram, nesta sexta-feira, um protocolo para a execução do projecto, que deve estar pronto em Maio de 2021 e antecede a obra, avaliada em oito milhões de euros. À espera de abrir o concurso público mal o projecto esteja concluído, o presidente da autarquia crê que o investimento vai dinamizar a economia local. “A nossa expectativa é que possamos, dentro de cinco anos, aumentar em cerca de 30% o valor das exportações de Viana do Castelo. As empresas vão ser mais competitivas e as acessibilidades vão ser melhores”, realçou José Maria Costa, ao PÚBLICO.

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Na zona mais a sul do concelho de Viana do Castelo, vai nascer uma via de 5,2 quilómetros que tenciona ligar com mais rapidez as indústrias do vale do rio Neiva à A28. A Câmara Municipal e o secretário de Estado das Infra-estruturas, Jorge Delgado, assinaram, nesta sexta-feira, um protocolo para a execução do projecto, que deve estar pronto em Maio de 2021 e antecede a obra, avaliada em oito milhões de euros. À espera de abrir o concurso público mal o projecto esteja concluído, o presidente da autarquia crê que o investimento vai dinamizar a economia local. “A nossa expectativa é que possamos, dentro de cinco anos, aumentar em cerca de 30% o valor das exportações de Viana do Castelo. As empresas vão ser mais competitivas e as acessibilidades vão ser melhores”, realçou José Maria Costa, ao PÚBLICO.

Segundo os dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística, analisados pelo PÚBLICO, as exportações de Viana do Castelo foram de 800 milhões de euros em 2018, e caíram para os 749 milhões, em 2019. Segundo o autarca, o vale do Neiva é responsável por 30% desse valor, albergando empresas dos sectores têxtil, metalomecânico, cerâmico, agro-alimentar, logístico e de transformação de madeira.

A ligação à A28 utilizada por essas indústrias, nomeadamente as da União de Freguesias de Barroselas e Carvoeiro, é um troço da Estrada Nacional 308, actualmente “saturado”, com “zonas fortemente urbanizadas”, que condicionam a “fluidez do tráfego e as condições de segurança”, indica o estudo prévio realizado pela autarquia, citado num comunicado enviado à imprensa. Para José Maria Costa, tais problemas ditaram mesmo o atraso de alguns investimentos previstos ou a sua transferência para outros locais. Com o novo acesso disponível, o autarca crê que há empresas preparadas para expandirem a actividade. “Há uma fábrica de cerâmica na zona que investiu cinco milhões de euros na ampliação, há um ano. Com um melhor acesso à exportação, muitas outras vão ampliar as suas instalações”, antecipou.

Enquadrada no Plano Nacional de Investimentos para 2030, a obra vai ser financiada por fundos comunitários, pelo Orçamento de Estado e pelo orçamento municipal, confirmou o presidente da Câmara. Da verba prevista, 5,5 milhões de euros destinam-se à construção da via que atravessa Alvarães, Vila de Punhe, Mujães e a União de Freguesias de Barroselas e Carvoeiro, esclareceu; a nova estrada vai-se articular com a rede viária já existente e inclui uma via dedicada à bicicleta em toda a extensão do percurso.

Os restantes 2,5 milhões são necessários para expropriações. José Maria Costa avisou, contudo, que as demolições nessa operação se resumem a um anexo agrícola e a uma casa rural já desabitada, próximos de um dos cruzamentos da nova via, em Alvarães.

Apesar do projecto ter sido anunciado num período marcado pela pandemia de covid-19, o autarca de Viana defendeu que a economia local está em quebra na restauração e no turismo, mas não na indústria. “Há muitos projectos de modernização de fábricas que estão a decorrer e continuamos a receber propostas de investimentos para o concelho após o surgimento da pandemia”, adiantou.