Ventiladores salvos através do BNU de Macau

Central de compras da Sonae na China e BCP-Millennium de Macau foram hipóteses. O comprovativo do depósito só chegou a Lisboa em cima do limite, mas o embaixador em Pequim conseguiu fazer prova do pagamento.

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O primeiro-ministro, António Costa, conseguiu assegurar em tempo recorde o pagamento prévio dos 500 ventiladores LUSA/FERNANDO VELUDO

Foi através do BNU de Macau que o Governo português conseguiu fazer, em tempo recorde, no domingo, a transferência de dez milhões de dólares americanos para a China, de modo a assegurar que a encomenda de 500 ventiladores não fugia para o Canadá. E tinha de fazer prova de que o depósito estava feito. “Este mercado está uma selva!”, comentou o responsável governamental que contou ao PÚBLICO o sufoco por que o Governo passou no domingo.

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Foi através do BNU de Macau que o Governo português conseguiu fazer, em tempo recorde, no domingo, a transferência de dez milhões de dólares americanos para a China, de modo a assegurar que a encomenda de 500 ventiladores não fugia para o Canadá. E tinha de fazer prova de que o depósito estava feito. “Este mercado está uma selva!”, comentou o responsável governamental que contou ao PÚBLICO o sufoco por que o Governo passou no domingo.

O contrato estava feito para os 500 ventiladores e tinha sido sinalizado pelo executivo através de uma garantia. Mas, no domingo, o executivo foi informado, pelo vendedor chinês, de que se não pagasse o total da encomenda, à cabeça e até segunda-feira de manhã, ela seria entregue ao Canadá. Ou seja, o Governo tinha até às 2h da madrugada de segunda-feira em Lisboa, quando são 9h na China, para transferir dez milhões de dólares americanos para a conta do vendedor.

Em estado de alerta, o primeiro-ministro, António Costa, começou a accionar todos os meios disponíveis para garantir que os 500 ventiladores vinham mesmo para Portugal. O problema é que, ao domingo, quer os departamentos do Estado português quer os bancos em todo o mundo estão fechados.

A primeira diligência que o Governo fez foi abrir o Instituto de Gestão e Crédito Público, de modo a que o dinheiro fosse imediatamente disponibilizado. Com os 10 milhões de dólares prontos para ser enviados, o Governo movimentou vários contactos para conseguir fazer a transferência.

Uma hipótese era o BCP-Millenium, banco português que tem agência em Macau. Outra possibilidade foi preparada através da Sonae. Como detém uma central de compras na China, a Sonae faria o pagamento dos dez milhões de dólares americanos e, depois, receberia do Governo português.

A solução acabou por ser fazer o depósito através do BNU de Macau. Mas mesmo assim, em contra-relógio. As autoridades tiveram de esperar que o administrador deste banco acordasse para tratar da transferência. Em cima da hora limite, 2h da madrugada em Lisboa e 9h da manhã na China, o pagamento foi feito.

O stress seguinte teve a ver com a apresentação do comprovativo da transferência ao comprador, a única forma de assegurar que os 500 ventiladores vinham mesmo para Portugal. O comprovativo do depósito chegou ao Governo às 2h30 da madrugada de Lisboa.

Foi imediatamente enviado ao embaixador português na China que tratou de o ir apresentar pessoalmente ao vendedor para assegurar que Portugal não perdia a encomenda de 500 ventiladores.

Com a compra assegurada, em Abril, os ventiladores deverão começar a chegar “de forma faseada”, como explicou esta sexta-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. 

Além destes 500 ventiladores, estão já na embaixada portuguesa na China 78 ventiladores para seguir para Portugal em voos específicos. Mas serão recebidos mais cinquenta oferecidos pela EDP e outros lotes mais pequenos também fruto de doações de privados.