Cientistas pedem ao Governo acesso imediato a dados de doentes suspeitos de covid-19

O objectivo é pôr cientistas em Portugal a trabalhar nesses dados para ajudar as autoridades a encontrarem respostas mais eficazes contra a pandemia.

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Num laboratório na Alemanha onde se investiga uma vacina para a covid-19 Andreas Gebert/Reuters

Um grupo de cientistas e responsáveis de escolas de medicina pede que o Governo português disponibilize com a maior brevidade – horas e não dias – todos os dados “pseudo-anonimizados” de doentes suspeitos (confirmados ou não) de covid-19 em Portugal. O objectivo é pôr os investigadores em Portugal a trabalhar nesses dados para que se possa ajudar as autoridades a encontrar respostas mais eficazes para conter a pandemia. Entre os signatários deste apelo estão Nuno Sousa (presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho), Altamiro da Costa Pereira (director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) e Carlos Oliveira (conselheiro do Conselho Europeu de Inovação).

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Um grupo de cientistas e responsáveis de escolas de medicina pede que o Governo português disponibilize com a maior brevidade – horas e não dias – todos os dados “pseudo-anonimizados” de doentes suspeitos (confirmados ou não) de covid-19 em Portugal. O objectivo é pôr os investigadores em Portugal a trabalhar nesses dados para que se possa ajudar as autoridades a encontrar respostas mais eficazes para conter a pandemia. Entre os signatários deste apelo estão Nuno Sousa (presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho), Altamiro da Costa Pereira (director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) e Carlos Oliveira (conselheiro do Conselho Europeu de Inovação).

“Solicita-se que, com a maior brevidade (horas e não dias), seja tomada a decisão política de disponibilização imediata à comunidade científica de todos os microdados pseudo-anonimizados existentes sobre doentes suspeitos (confirmados ou não) de covid-19 em Portugal.” É este o apelo urgente numa carta dirigida esta segunda-feira ao primeiro-ministro António Costa, ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, à ministra da Saúde, Marta Temido, à Fundação para a Ciência e a Tecnologia, aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e à Direcção-Geral da Saúde.

“Urge a decisão política de disponibilização imediata desses dados. Dado esse passo, conseguiremos encontrar recursos para que, em poucos dias, os mesmos sejam disponibilizados para benefício de todos”, lê-se. “Cenários de emergência como o que vivemos actualmente requerem respostas imediatas que não se coadunam com atrasos na disponibilização de dados para a comunidade científica. A evidência é necessária agora; os dados para a sustentar eram necessários ontem.”

No documento assinala-se que a disponibilização dos dados pseudo-anonimizados permitirá pôr cientistas em Portugal a trabalhar neles e ajudarem assim o Governo e as autoridades públicas e de saúde a encontrarem respostas mais eficazes para conter a pandemia.

Destaca-se ainda que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior tem aqui um papel crucial, nomeadamente na ponte com as instituições que detêm os dados; na recolha e disponibilização dos dados à comunidade científica; na agilização da infra-estrutura para armazenamento dos dados e análises estatísticas e de machine learning; e na catalogação e disponibilização pública dos metadados das fontes de dados existentes.

Existe em Portugal uma comunidade científica de grande qualidade que está disponível para ajudar a encontrar as respostas que o país necessita para fazer frente a esta pandemia e urgência de saúde pública no imediato, mas também a médio e longo prazo”, realça-se.

Além de Nuno Sousa, Altamiro da Costa Pereira e Carlos Oliveira, estão agora na lista de signatários deste apelo: Ricardo Correia (fundador do mestrado em Informática Médica da Universidade do Porto e membro do Gabinete de Resposta Digital à covid-19 da Secretaria de Estado para a Transição Digital); Pedro Morgado (vice-presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho); Pedro Pereira Rodrigues (director do programa de doutoramento em Ciência de Dados de Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto); Bernardo Sousa Pinto (professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto); João Fonseca (médico imunoalergologista e director do Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto); e Pedro M. Teixeira (investigador em saúde das populações da Escola de Medicina da Universidade do Minho).