Coronavírus: Autoeuropa suspende produção por falta de pessoal

Nenhum dos três turnos habituais se concretizou nesta segunda-feira. Empresa permite recurso aos down days para evitar perda de salário dos trabalhadores.

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Reuters/RAFAEL MARCHANTE

A maior exportadora portuguesa de bens viu-se forçada a parar a produção nesta segunda-feira, por falta de pessoal. Muitos trabalhadores da Autoeuropa decidiram ficar em casa com os filhos, depois de o Governo ter suspendido as aulas, para tentar conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

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A maior exportadora portuguesa de bens viu-se forçada a parar a produção nesta segunda-feira, por falta de pessoal. Muitos trabalhadores da Autoeuropa decidiram ficar em casa com os filhos, depois de o Governo ter suspendido as aulas, para tentar conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A administração da fábrica ainda tentou ajustar a produção a um nível mais baixo, mas acabou por suspender a laboração nesta segunda-feira, depois de se perceber que nenhum dos três turnos diários poderia ser assegurado.

Num primeiro momento, a fábrica que a Volkswagen tem em Palmela chegou a acordo com os trabalhadores sobre o recurso aos chamados down days, nome da “ferramenta de flexibilidade” nesta fábrica que permitiria a ausência dos trabalhadores sem perda de salário.

“Perante a previsão de ausências a partir de 16 de Março, decidiu-se ainda reduzir a produção diária de 890 para 744 unidades, contribuindo para ajustar a fábrica às condições exigidas pelas autoridades nacionais. Ambas as decisões foram comunicadas a todos os colaboradores durante o dia 13 de Março”, ou seja, no dia seguinte ao do anúncio da suspensão das aulas até às férias da Páscoa.

Isto é o que afirma a administração do fabricante, num comunicado divulgado nesta segunda-feira. No fim-de-semana, houve críticas por parte de alguns sindicatos, que acusavam a gestão de não acautelar a saúde dos trabalhadores. Além disso, houve emails anónimos, um dos quais enviado ao PÚBLICO, a afirmar que haveria trabalhadores infectados com o vírus que provoca a doença covid-19. 

Porém, no comunicado, a administração contraria: diz que foram, de facto, colocados em quarentena preventiva sete trabalhadores, que tinham"regressado de países de risco”, assegurando que nenhum deles apresenta qualquer sintoma.

“Com o desenrolar da situação durante o fim-de-semana, e à medida que novos dados iam sendo conhecidos, que surgiam novas decisões a nível nacional e internacional, e com a previsão de ausências a partir do turno da noite do dia 16 de Março, a Volkswagen Autoeuropa comunicou aos seus colaboradores e fornecedores a decisão de suspender os turnos de produção de segunda-feira”, conclui a fábrica portuguesa do grupo que é líder mundial de venda de carros.

Em 2019, a Autoeuropa foi o maior exportador nacional de bens, regressando ao topo de uma tabela que deixara de liderar há 14 anos. Palmela bateu o recorde de produção seis semanas antes do fim do ano, finalizando 2019 com 256.900 viaturas produzidas.

A empresa tem cerca de 6000 trabalhadores e vive no auge devido ao sucesso comercial do modelo T-Roc, cuja produção é um exclusivo mundial da Autoeuropa. A expansão desta produção foi a mola que empurrou a produção nacional de carros para um recorde absoluto no ano passado, e que ajudou a indústria automóvel portuguesa (construtores e fornecedores de componentes) a colocar-se ainda mais em evidência na exportação de bens, valendo 15% das vendas ao exterior.