Período de incubação do coronavírus pode durar até 24 dias, diz estudo

Embora possa ir até aos 24 dias, o período médio de incubação do vírus é de três dias.

Foto
Mensagem solidária com a China numa praia de Puri, na Índia EPA

O período de incubação do novo coronavírus pode prolongar-se até 24 dias, embora cientistas chineses tenham apurado que a média são apenas três dias, diz uma equipa coordenada pelo epidemiologista chinês Zhong Nanshan, que identificou o coronavírus responsável pelo surto de SARS (síndrome respiratória aguda grave) de 2003, que também teve origem na China.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

O período de incubação do novo coronavírus pode prolongar-se até 24 dias, embora cientistas chineses tenham apurado que a média são apenas três dias, diz uma equipa coordenada pelo epidemiologista chinês Zhong Nanshan, que identificou o coronavírus responsável pelo surto de SARS (síndrome respiratória aguda grave) de 2003, que também teve origem na China.

Os resultados preliminares deste trabalho são relatados, de forma muito breve, no portal de investigação de ciências de saúde MedRxiv, onde se podem publicar artigos científicos antes de serem submetidos à avaliação pelos pares. O estudo baseia-se em dados de 1099 pacientes em que a infecção pelo novo coronavírus foi confirmada por análises laboratoriais, internados em 552 hospitais em 31 províncias ou municípios, até 29 de Janeiro, explicam os autores.

A grande maioria dos doentes tinha um número reduzido de glóbulos brancos (82,1%), 55 dos 1099 pacientes (5%) tiveram de passar para a unidade de cuidados intensivos e 15 (1,36%) morreram da doença causada pelo coronavírus, dizem os cientistas. 

Embora os sintomas mais comuns sejam febre (87,9%) e tosse (67,7%), a febre só se manifesta em 43,8% dos doentes na primeira visita ao médico. A ausência de febre é mais frequente do que na SARS e na síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS), portanto a detecção dos casos não pode focar-se na medição da temperatura”, diz o jornal chinês Caixin. Os exames de imagiologia aos pulmões, como as TAC, também não garantem a detecção da doença, porque muitos doentes não apresentam sintomas, pelo menos numa fase inicial da doença.

Cerca de um terço das pessoas infectadas consideradas no estudo tinha estado em Wuhan, a cidade no centro do surto do novo coronavírus, e 71,8% tinham contactado com pessoas de lá. Só 1,18% tiveram contacto com animais selvagens — o que permite concluir que o vírus se transmite de forma eficaz entre seres humanos.

Numa conferência de imprensa no final da tarde desta terça-feira, Graça Freitas esclareceu que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) não valorizou o estudo e disse que se trata de informação “que não está validada”, sendo “um dos muitos estudos que circulam” e que a Organização Mundial da Saúde nem menciona, assinalou.

A epidemia de coronavírus causou já 1018 mortos, dos quais 1016 na China continental, onde se contabilizam mais de 42 mil infectados, segundo o balanço divulgado nesta terça-feira.

Na segunda-feira, de acordo com os dados anunciados pela Comissão Nacional de Saúde da China, registaram-se no território continental chinês 108 mortes e foram detectados 2478 novos casos de infecção, para um total de 42.638, em especial na província de Hubei (centro), onde perto de 60 milhões de pessoas permanecem em quarentena.