PAN: à conquista de um grupo parlamentar

Basta eleger mais um deputado para que o partido passe a ter outro peso no parlamento. Mas a esperança é eleger quatro.

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O PAN visitou o canil da Aroeira, em Almada LUSA/ANTONIO COTRIM

Sem máquina, sem comícios e sem brindes, o PAN fez uma campanha morna e com uma agenda suave, mais parecida com a dos pequenos partidos sem assento parlamentar do que com os chamados partidos do regime. Mas desta vez contou com uma “comitiva” da comunicação social a tempo inteiro e isso faz toda a diferença.

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Sem máquina, sem comícios e sem brindes, o PAN fez uma campanha morna e com uma agenda suave, mais parecida com a dos pequenos partidos sem assento parlamentar do que com os chamados partidos do regime. Mas desta vez contou com uma “comitiva” da comunicação social a tempo inteiro e isso faz toda a diferença.

A presença diária nas televisões ajudou ao reconhecimento de André Silva nas ruas, onde é sobretudo bem acolhido pelas mulheres. Nada que surpreenda a equipa, pois o mesmo acontece nas redes sociais, onde o partido tem uma presença forte e cerca de 200 mil seguidores.

Se nas ruas muitos o identificam como o deputado do “partido dos animais”, a aposta na bandeira das alterações climáticas que ficou patente nos debates e entrevistas da pré-campanha também já foi interiorizada por muita gente. E nem sempre de forma positiva.

A defesa da redução do consumo de carne de vaca acabou por se tornar o seu calcanhar de Aquiles. Nas ruas e nos jornais, onde muitos opinion makers passaram a identificar o partido como um “inimigo” dos agricultores que põe em causa o modo de vida mainstream.

“A nossa narrativa não é sexy, não conseguimos ter soundbites quando temos que dizer às pessoas que têm de mudar de hábitos”, reconhece Naide Muller, assessora de comunicação. Mas mesmo que não o reconheça, o PAN sabe que a sua força está sobretudo entre os millenials e numa população mais urbana e cosmopolita.

O PAN fez ontem o seu único jantar de campanha, uma refeição vegan para 150 militantes no distrito de Setúbal, um dos três onde espera eleger um deputado, a par de Lisboa e Porto. Ali, a cabeça de lista é a advogada Cristina Rodrigues, que ficou conhecida pela ligação ao IRA (associação de Intervenção e Resgate Animal).

Em Lisboa, André Silva tem garantida a reeleição e conta ter a companhia no Parlamento de Inês Sousa Real, jurista da Câmara de Sintra e deputada municipal na Assembleia Municipal de Lisboa, onde já foi provedora dos animais. No Porto, espera eleger Bebiana Cunha, psicóloga na Câmara de Matosinhos e deputada da Assembleia Municipal do Porto, conhecida pela ligação ao movimento LGBT+. Mas eleger quatro deputados é, para já, apenas um cenário optimista.