PSD: Rio aproveita Tancos para tentar atingir primeiro-ministro

Líder do PSD fez uma arruada rápida nas Caldas da Rainha

Foto
Rui Rio (PSD) Rui Gaudêncio

Antes de entrar na sala de um hotel nas Caldas da Rainha, onde foi colocado o púlpito para a conferência de imprensa, o líder social-democrata ajeitou a camisa ao espelho. O momento parecia sério. O assunto da acusação sobre o caso Tancos estava nas notícias desde manhã, mas Rui Rio não vai em pressas mediáticas. Admitiu primeiro que o assunto era “grave”, mas optou por fazer uma breve pausa na campanha após o almoço para se inteirar das 500 páginas da acusação do Ministério Público e fazer uma declaração em tom algo solene.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Antes de entrar na sala de um hotel nas Caldas da Rainha, onde foi colocado o púlpito para a conferência de imprensa, o líder social-democrata ajeitou a camisa ao espelho. O momento parecia sério. O assunto da acusação sobre o caso Tancos estava nas notícias desde manhã, mas Rui Rio não vai em pressas mediáticas. Admitiu primeiro que o assunto era “grave”, mas optou por fazer uma breve pausa na campanha após o almoço para se inteirar das 500 páginas da acusação do Ministério Público e fazer uma declaração em tom algo solene.

Numa campanha em que o primeiro-ministro tem sido poupado, é porventura a primeira vez que António Costa é o alvo directo de Rio, embora não o acuse taxativamente de ter conhecimento do achamento do material de guerra roubado em Tancos. Disse ser “pouco crível que um ministro, seja ele qual for, não articule aspectos desta gravidade com o primeiro-ministro”. E acrescentou: “Ainda assim eu nunca poderei dizer mesmo se ele sabia ou não”. Ficou também a dúvida sobre se o envolvimento do nome do Presidente da República no caso podem ser uma “encenação” do Governo. “Tudo leva a crer que sim. Por parte do Governo, para que saíssem notícias a tentar pôr uma cortina de fumo. Dá-me ideia que é bem provável que possa ter acontecido”, respondeu aos jornalistas. As declarações indignaram o primeiro-ministro.

O líder social-democrata seguiu depois para uma arruada ao lado do presidente da câmara das Caldas da Rainha, em passo sempre acelerado, e ao som de cânticos da ‘jota’. Entrou algumas lojas e cumprimentou comerciantes numa rua pedonal da cidade. Todo o percurso se fez em meia hora.

O dia, que acabou em Leiria (em mais uma Talk para a qual foi convidado o ex-socialista Henrique Neto) tinha começado em Benavente, numa exploração de colheita de arroz, onde Rui Rio até deu um pezinho de dança. Em Santarém, distrito com uma forte componente agro-industrial, o líder do PSD visitou o Instituto Nacional de Investigação Agrícola e Veterinária, um laboratório do Estado que é considerado um centro de excelência. Rio esteve atento às explicações da directora, Olga Moreira, sobre o trabalho desta estrutura e fez perguntas sobre os apoios municipais ao laboratório estatal. À mesa da reunião ainda houve quem puxasse a polémica da carne de vaca. Mas Rui Rio não se pronunciou sobre a proibição decretada nas cantinas da Universidade de Coimbra.