Pradaria portuguesa

A Herdade, filme de Tiago Guedes com Albano Jerónimo e Sandra Faleiro, tem algumas coisas em que acerta bem mas tem também uma outra, muito importante, em que fica em défice.

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O relato de A Herdade é ambicioso: narrar uma “história portuguesa” entre os anos finais do Estado Novo e a década de 1990, tomando como exemplo uma grande propriedade rural que o dono (a personagem de Albano Jerónimo) tem que proteger, sucessivamente, das interferências do governo marcelista, depois da reforma agrária, e, finalmente, dos bancos. Ao mesmo tempo, e quase em decorrência desse instinto de autopreservação, é uma história sobre uma “entropia” letal, que desenha também, através da teia de relacionamentos entre as personagens, uma crónica da decadência natural, por uma espécie de podridão, da grande burguesia rural portuguesa – e a esse respeito os ecos de O Delfim, seja o de Cardoso Pires seja a adaptação filmada por Fernando Lopes em 2002, são consideráveis.

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O relato de A Herdade é ambicioso: narrar uma “história portuguesa” entre os anos finais do Estado Novo e a década de 1990, tomando como exemplo uma grande propriedade rural que o dono (a personagem de Albano Jerónimo) tem que proteger, sucessivamente, das interferências do governo marcelista, depois da reforma agrária, e, finalmente, dos bancos. Ao mesmo tempo, e quase em decorrência desse instinto de autopreservação, é uma história sobre uma “entropia” letal, que desenha também, através da teia de relacionamentos entre as personagens, uma crónica da decadência natural, por uma espécie de podridão, da grande burguesia rural portuguesa – e a esse respeito os ecos de O Delfim, seja o de Cardoso Pires seja a adaptação filmada por Fernando Lopes em 2002, são consideráveis.