BE quer que Governo português diga que Bolsonaro está a atacar o pulmão do mundo

Catarina Martins diz que é essencial assumir “responsabilidade internacional” quanto à preservação da Amazónia. Apoio ao Brasil deve ser traduzido em dinheiro, defende.

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Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

A coordenadora do BE considerou esta quarta-feira que o Governo português deve dizer que o Presidente brasileiro está a atacar a Amazónia e juntar-se à solidariedade internacional para proteger esta floresta, sancionando o negócio que destrói o pulmão do mundo.

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A coordenadora do BE considerou esta quarta-feira que o Governo português deve dizer que o Presidente brasileiro está a atacar a Amazónia e juntar-se à solidariedade internacional para proteger esta floresta, sancionando o negócio que destrói o pulmão do mundo.

A líder bloquista, Catarina Martins, falava numa sessão pública promovida pelo partido em Lisboa sobre a situação na Amazónia, na qual participaram o realizador João Salaviza e a actriz e activista ambiental Lucélia Santos. “Pela nossa parte, aqui em Portugal, achamos que é mais do que tempo do Governo português o dizer claramente: o Governo de Bolsonaro está a atacar a Amazónia, toda a solidariedade com o Brasil, sim, mas para proteger a Amazónia”, defendeu.

Na perspectiva de Catarina Martins, é fundamental Portugal ter a capacidade de fazer “parte de uma comunidade internacional que tenha as sanções diplomáticas e económicas que for necessário para travar o negócio que vive da destruição do pulmão do mundo”.

“É preciso assumir claramente que há uma responsabilidade internacional, sim, a preservação da Amazónia. E que o Brasil tem de ter solidariedade internacional para a preservar “, afirmou. Esta acção, na visão da líder bloquista, é “uma responsabilidade de todos os países, a que nenhum país pode faltar”, devendo esse apoio ser traduzido em dinheiro, uma vez que se trata de “um problema económico”.

“Mas a clareza da necessidade da solidariedade internacional para com o Brasil para preservar a Amazónia tem também de ter a clareza das sanções políticas, diplomáticas e económicas que for preciso para travar estes incêndios e para travar o negócio que vive da destruição da Amazónia”, apontou. Para Catarina Martins, “não vale a pena fazer de conta que o Governo de Bolsonaro é um Governo igual a todos os outros”.

Os incêndios de enormes dimensões que estão a consumir a floresta são, para a dirigente do BE, “uma manobra clara económica de destruição da Amazónia”. “O que está a acontecer não surpreende. Estavam todos os indícios de que uma coisa destas podia acontecer porque as protecções ambientais foram sendo destruídas pelo Governo brasileiro e todo o incentivo foi dado às acções que são ilegais, que são contra a lei e que destroem a floresta e que atacam as populações indígenas”, admitiu.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de Agosto, sendo a Amazónia a região mais afectada.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).