Guerra à droga de Duterte é “operação de assassínios em larga escala”, denuncia Amnistia

A Amnistia Internacional acusa Rodrigo Duterte de direccionar a luta contra as drogas aos mais pobres.

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Rodrigo Duterte abriu uma guerra à droga quando chegou ao poder, em 2013 Dondi Tawatao/Reuters

A guerra contra as drogas do Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, é uma “operação de assassínios em larga escala” e deve ser investigada pelas Nações Unidas, diz um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Amnistia Internacional (AI).

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A guerra contra as drogas do Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, é uma “operação de assassínios em larga escala” e deve ser investigada pelas Nações Unidas, diz um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Amnistia Internacional (AI).

No relatório, a organização não governamental denuncia que a guerra contra as drogas, iniciada pelo Presidente filipino desde que chegou ao poder em 2016, é direccionada principalmente aos mais pobres.

Os nomes dos alvos, diz a AI, são fornecidos por autoridades locais sujeitas a “imensa pressão” por polícias para entregar um fluxo constante de suspeitos.

“Pior, os que aparecem nas listas parecem estar lá indefinidamente, sem terem como ser removidos, mesmo que tenham seguido o tratamento e tenham parado de consumir”, sublinhou a AI.

A organização apoia um projecto de resolução proposto pela Islândia ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, apoiado maioritariamente pelos países ocidentais, que deve ser votado nos próximos dias, embora as Filipinas tenham pedido à comunidade internacional para não se intrometer nos seus assuntos internos.

“As tentativas dos países estrangeiros de interferirem na maneira como este Governo mantém a paz e a ordem não são apenas uma afronta à sua inteligência, mas também uma violação da sua soberania”, disse o porta-voz do Presidente, Salvador Panelo.

Mais de cinco mil suspeitos ligados ao tráfico ou ao consumo de drogas, na sua maioria pobres, morreram em confrontos armados com a polícia, motivando reacções de governos ocidentais, especialistas da ONU e defensores dos direitos humanos.

Segundo dados de várias organizações de direitos humanos, esse número deve ser multiplicado por quatro.

Duterte negou ter ordenado as mortes, embora tenha ameaçado publicamente as pessoas ligadas ao tráfico e ao consumo de drogas.

Os milhares de mortes motivaram a apresentação de duas queixas no Tribunal Penal Internacional.

O Supremo Tribunal filipino ordenou ao procurador-geral que divulgue documentos sobre a campanha contra a droga, incluindo a lista de pessoas mortas em operações policiais efectuadas entre 1 de Julho de 2016 a 30 de Novembro de 2017, bem como registos sobre outras mortes suspeitas ligadas à droga, no mesmo período, e que estavam a ser investigadas pelas forças de segurança.