“A Praia” da Tailândia vai continuar fechada a turistas

Vítima do seu próprio sucesso, o areal de Maya Bay, cenário paradisíaco do filme A Praia, protagonizado por Leonardo DiCaprio, vai continuar interdito até 2021.

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O filme realizado por Danny Boyle há quase duas décadas e protagonizado por Leonardo DiCaprio catapultou para a fama a enseada cristalina de Maya Bay, principal cenário do filme A Praia (The Beach na versão original). O mapa para o paraíso foi revelado e os turistas acorreram em massa.

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O filme realizado por Danny Boyle há quase duas décadas e protagonizado por Leonardo DiCaprio catapultou para a fama a enseada cristalina de Maya Bay, principal cenário do filme A Praia (The Beach na versão original). O mapa para o paraíso foi revelado e os turistas acorreram em massa.

Há cerca de um ano, as autoridades concluíram que o ecossistema não aguentava mais. O impacto causado pelos turistas – à data, cerca de 200 barcos e 4000 visitantes por dia – estava a acelerar o deterioramento dos recifes de coral e a colocar em risco a vida marinha. O Departamento Nacional de Parques e Vida Selvagem da Tailândia decidiu interditá-la por quatro meses, numa tentativa de diminuir os danos ambientais causados pela massificação e regenerar o ecossistema.

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Soe Zeya Tun/Reuters

Não foi suficiente. Esta semana, as autoridades confirmaram que o areal de Maya Bay, localizado na ilha de Koh Phi Phi Leh, na Tailândiavai manter-se encerrada, pelo menos, até Junho de 2021. “Nessa altura, iremos avaliar novamente se está preparada para abrir aos turistas”, assumiu o director do departamento, Songtam Suksawang, em declarações à CNN. “Precisamos de mais tempo para permitir que a natureza se recupere totalmente. A nossa equipa reavaliará a situação a cada três meses.”

De acordo com o site do canal norte-americano, foram reintroduzidos cerca de 10 mil corais ao largo do areal de Maya Bay desde o ano passado. Mas a recente onda de calor, que fez com que a temperatura da água do mar subisse aos 32ºC, atrasou o crescimento dos corais.

Segundo Suksawang, é preciso mais tempo. Para que o ecossistema se regenere e para que as autoridades consigam expandir as infra-estruturas existentes na ilha para o apoio aos visitantes.

Entre os planos, estão a instalação de uma nova doca flutuante, de um passadiço ecológico e de novas casas de banho. Além disso, está a ser desenvolvido um sistema electrónico de entradas, para garantir que o número de visitantes diários não exceda as 1200 pessoas por dia, dividindo as estadas na praia por quatro horários diferentes.

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Soe Zeya Tun/Reuters

E só os barcos turísticos com localizadores digitais instalados a bordo é que poderão atracar no interior da baía. As medidas pretendem tornar a visita “mais conveniente para os turistas e, ao mesmo tempo, ajudar-nos a manter as condições do ecossistema”, defende o responsável.

Actualmente, os barcos podem entrar nos limites externos da baía, permitindo aos visitantes ver a praia ao longe e fazer snorkeling com a enseada paradisíaca no horizonte, mas os passeios junto à costa e a entrada no areal estão interditos.

“O nosso objectivo é alcançar o turismo sustentável”, garante Suksawang. “Queremos passar esta herança natural para as próximas gerações.”