Auditoria aponta graves falhas de gestão ao Sporting e a Bruno de Carvalho

Análise às contas do clube revelou o clube guardava mais de um milhão de euros em dinheiro no estádio. Contratos e departamentos de scouting foram passados a pente fino.

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Gestão de Bruno de Carvalho foi alvo de uma auditoria LUSA/RODRIGO ANTUNES

Uma auditoria forense às contas do Sporting levanta sérias dúvidas à gestão de Bruno de Carvalho. A Baker Tilly, empresa que realizou a análise revelada esta quarta-feira pelo jornal Record, identificou gastos no departamento de scouting que “ascenderam a cerca de 3,426 milhões de euros”, sendo que, desse valor, pouco mais de um milhão de euros não tem rasto. Bruno de Carvalho, antigo dirigente “leonino”, foi afastado da presidência pelos sócios em Junho de 2018, depois de cinco anos à frente dos destinos do clube. O PÚBLICO não conseguiu chegar à fala com qualquer responsável dos “leões”. 

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Uma auditoria forense às contas do Sporting levanta sérias dúvidas à gestão de Bruno de Carvalho. A Baker Tilly, empresa que realizou a análise revelada esta quarta-feira pelo jornal Record, identificou gastos no departamento de scouting que “ascenderam a cerca de 3,426 milhões de euros”, sendo que, desse valor, pouco mais de um milhão de euros não tem rasto. Bruno de Carvalho, antigo dirigente “leonino”, foi afastado da presidência pelos sócios em Junho de 2018, depois de cinco anos à frente dos destinos do clube. O PÚBLICO não conseguiu chegar à fala com qualquer responsável dos “leões”. 

De acordo com o diário desportivo, foram referenciados 680 nomes pelo departamento de scouting, dos quais só três chegariam a ser contratados — um aproveitamento de 0,4%. Das várias falhas deste departamento apontadas no relatório, a Baker Tilly identifica “várias deficiências” a nível contratual, entre as quais “ausência de contratos, contratos não assinados, ausência de relatórios de scouting, relatórios informais, não assinados e não identificados/detalhados”.

Na análise efectuada pelo auditor, existem várias críticas à gestão “leonina”: uma das práticas que levantou mais dúvidas passou pelo elevado montante em numerário — ou seja, dinheiro vivo — à disposição dos responsáveis que, por vezes, chegou a ultrapassar um milhão de euros. “O Sporting manteve por períodos muito alargados montantes de numerário significativos sem serem depositados em bancos. Este procedimento é totalmente contrário às boas práticas de gestão. Este procedimento dificulta significativamente o controlo de tesouraria, e proporciona o seu uso indevido”, cita o jornal Record.

Contratos “causam dúvidas"

Para além dos gastos no departamento de scouting do Sporting, a Baker Tilly também assinalou alguns dos contratos celebrados pelos “leões”. No do jogador argentino Marcos Acuña, a empresa estranhou que o clube não tenha beneficiado dos direitos mencionados no documento. Ainda sob a presidência de Bruno de Carvalho, o Sporting celebrou um contrato de aquisição dos direitos económicos e desportivos do argentino, por 6,285 milhões de euros. A este mesmo contrato juntou-se um outro relativo à aquisição de direitos de preferências de três atletas do Racing (1,65 milhões de euros) e à realização de um jogo amigável entre os dois emblemas (1,65 milhões de euros), que perfaz um total de 9,585 milhões de euros.

Apesar de ter desembolsado as verbas por estes “benefícios”, o Sporting não usufruiu de nenhum destes direitos. A auditoria revela que não foram obtidos “esclarecimentos suficientes sobre a natureza e objectivo deste contrato”. 

A SAD do Sporting estima ainda ter perdido 273 milhões de euros, resultante das rescisões de jogadores após o ataque à Academia de Alcochete, em Maio de 2018. Isto apesar de ser defendido na análise que “não é possível estimar com segurança o potencial valor da venda dos jogadores”. Por outro lado, alguns dos atletas que terminaram unilateralmente o vínculo contratual com o clube reclamam, ao todo, 4,7 milhões de euros aos “leões”, apesar de ainda não ter sido demonstrada a justa causa alegada pelos jogadores para a rescisão.   

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Contrato do argentino causou dúvidas à empresa que fez a auditoria às contas dos "leões" TIAGO PETINGA / LUSA