Greve dos enfermeiros: adiadas 2657 cirurgias numa semana

Só no centro hospitalar de São João, no Porto, não foram realizadas 823 operações numa semana, devido à greve dos enfermeiros às cirurgias programadas.

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Paulo Pimenta

Na primeira semana da nova “greve cirúrgica” dos enfermeiros, em curso em blocos operatórios de dez unidades de saúde, não foram realizadas 2657 intervenções cirúrgicas, mais de metade (56%) do total agendado entre 31 de Janeiro e 8 deste mês, segundo o segundo balanço sobre o impacto do protesto e que o Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira.

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Na primeira semana da nova “greve cirúrgica” dos enfermeiros, em curso em blocos operatórios de dez unidades de saúde, não foram realizadas 2657 intervenções cirúrgicas, mais de metade (56%) do total agendado entre 31 de Janeiro e 8 deste mês, segundo o segundo balanço sobre o impacto do protesto e que o Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira.

Ao longo do segundo período desta paralisação que decorre até ao final deste mês, o Ministério da Saúde decidiu divulgar semanalmente “o impacto em termos de cirurgias não realizadas, tendo por base o número de cirurgias que estavam previstas inicialmente" nos hospitais e centros hospitalares afectados – e que passaram de sete a dez, a partir do passado dia 8.

Foi nos centros hospitalares e universitários do Porto (CHUP) e de São João (CHUSJ) que o impacto da paralisação dos enfermeiros nos blocos operatórios, com dois terços das cirurgias agendadas a terem que ser canceladas, segundo os dados disponibilizados pelas unidades de saúde. Só no CHUSJ não foram realizadas 823 operações e, no CHUP, 607, devido à greve às cirurgias programadas.

O impacto foi também significativo no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, onde 62% das operações tiveram que ser adiadas. Nos hospitais de Braga, e no Garcia Orta (Almada)  foram canceladas 46% das intervenções e, no Centro Hospitalar Tondela—Viseu, 42%

Quanto às três unidades onde o protesto começou apenas na passada sexta-feira, os dados ainda são escassos. No Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Norte (que inclui o Santa Maria) os dados apenas de um dia indicam que foram adiadas 33 (29%) das cirurgias agendadas  e no Centro Hospitalar de Setúbal, foram 11 (32%). O balanço não inclui dados sobre o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

Nos centros hospitalares universitários do Porto (Santo António e Centro Materno-Infantil) e de S. João o impacto também foi significativo, com cerca de dois terços das cirurgias a não poderem ser realizadas devido à greve.

Durante o primeiro período do protesto, entre Novembro e o fim de Dezembro passado, foram adiadas mais de 7500 operações. Destas, 45% foram entretanto realizadas, e outras 45% estão programadas até Março, tendo os custos sido estimados em cerca de 12 milhões de euros em apenas quatro dos cinco centros hospitalares envolvidos.

Esta nova greve estende-se até ao final de Fevereiro e foi convocada pelo Sindepor  (sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) e pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).

O Governo decretou entretanto uma requisição civil de enfermeiros em quatro destas unidades de saúde, alegando que os serviços mínimos não foram cumpridos.

O Ministério da Saúde aguarda ainda o parecer, complementar a um primeiro - solicitado ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) a propósito da primeira "greve cirúrgica". Este novo parecer visa esclarecer várias questões, nomeadamente a do financiamento através de uma plataforma de crowfunding (com donativos) e a da duração deste protesto inédito,

Os donativos são usados para pagar aos enfermeiros que faltam ao trabalho nos blocos operatórios dos centros hospitalares afectados. Os profissionais que faltam recebem 42 euros por dia.